| O Orçamento "decreto-lei" de Lula |
| Por Renato Andrade PRIMEIRA LEITURA |
| Não satisfeito com os princípios do Estado de Direito que já desafiou nos últimos três anos, a gestão Lula resolveu nesta terça-feira mostrar ao Congresso Nacional que a sua existência é desnecessária, segundo as concepções petistas de governo. A equipe de Lula resolveu incluir na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2007 um mecanismo que garante ao Poder Executivo o direito de fazer gastos e investimentos no início do próximo ano caso o Orçamento da União não tenha sido aprovado pelos parlamentares até 31 de dezembro. Se dúvidas ainda existiam em relação à noção de democracia do PT, elas foram dissipadas. O mecanismo anunciado funcionará, na prática, como um decurso de prazo. Esse instrumento jurídico faz parte da história brasileira, mais especificamente do período em que o PT estava em gestação, quando Lula era apenas um metalúrgico da região do ABC paulista. O decurso de prazo era incluído em todos os decretos-lei que os governos militares enviavam ao Congresso. E funcionava da mesma maneira como o governo pretende agora tocar o Orçamento federal: se os parlamentares não votarem a proposta do Executivo até a data prevista, pouco importa. O Orçamento será tocado da mesma forma, sem constrangimentos para o governante em questão. Ao anunciar a medida, os ministros Guido Mantega e Paulo Bernardo tentaram arrumar justificativas plausíveis para o inconcebível. O ministro da Fazenda tentou argumentar que o governo não estava "reduzindo a importância" do Congresso, apenas "estabelecendo um limite". O ministro do Planejamento, por sua vez, buscou razões para justificar o desplante nas dificuldades vividas pelo governo neste ano. Mesmo transcorridos praticamente quatro meses, o Orçamento ainda não foi aprovado. É preciso fazer com que Mantega entenda que ao governo não cabe impor limites unilaterais aos parlamentares. É dever do Poder Executivo dialogar com o Congresso, buscar acordos onde há divisões. Saber exatamente até onde pode pressionar e quando é preciso recuar. As dificuldades na aprovação do Orçamento de 2006 são desculpas ainda mais frouxas para justificar tamanho desrespeito ao processo democrático de tramitação do Orçamento federal. Como dissemos na segunda-feira, as dificuldades fazem parte da natureza do processo político. Além do mais, o atraso na votação da proposta orçamentária deste ano deve ser contabilizada, em boa medida, à inoperância do Planalto em mobilizar sua base aliada dentro do Congresso. Mas nem tudo está perdido. Apesar dos anos de governo Lula, ainda resta democracia no país. A LDO é um projeto de lei e, como tal, precisa ser votada no Congresso. Está nas mãos dos parlamentares, portanto, a decisão de pôr o governo em seu devido lugar ou a placa "fechado por falta de importância" na entrada da Casa. Uma curiosidade. O embate político na tramitação de matérias importantes como o Orçamento estão presentes em praticamente todos os países democráticos. Mas é exatamente a natureza democrática das nações que impede que um governo proponha qualquer tipo de medida que represente o total desprezo ao trabalho de seu Legislativo. Em 1995, o Congresso dos Estados Unidos – dominado pelos republicanos – não aceitou a proposta orçamentária encaminhada pela administração do democrata Bill Clinton. As negociações para aprovação do Orçamento se arrastaram por cinco meses, até o prazo final. No dia 14 de novembro, sem acordo fechado, Clinton anunciou o fechamento parcial do governo federal. Todos os serviços públicos não essenciais foram interrompidos. Pedidos de novas aposentadorias não foram aceitos, museus fecharam as portas. Ao todo, 800 mil servidores foram dispensados do trabalho e só voltaram meses depois, quando republicanos e democratas conseguiram fechar um acordo e aprovar o orçamento. Assim se constrói uma democracia. [renatoandrade@primeiraleitura.com.br ] |
Entrevista:O Estado inteligente
- Índice atual:www.indicedeartigosetc.blogspot.com.br/
- INDICE ANTERIOR a Setembro 28, 2008
quarta-feira, abril 19, 2006
O Orçamento “decreto-lei” de Lula
Arquivo do blog
-
▼
2006
(6085)
-
▼
abril
(579)
- Vem aí mais imposto ou menos investimento Maílson ...
- Voto nulo, voto branco, reeleição e políticos hone...
- AUGUSTO NUNES SETE DIAS 30 DE ABRIL JB
- CLÓVIS ROSSI Cadê os empregos?
- ELIANE CANTANHÊDE "Igual a mim"
- JANIO DE FREITAS Nos aposentos do príncipe
- LUÍS NASSIF Adolf Berle Jr. e a diplomacia do dólar
- A invasão dos bárbaros RUBENS RICUPERO
- FERREIRA GULLAR O feitiço do Bruxo
- Portas abertas aos ‘companheiros’ no governo
- Culturobrás DANIELPIZA
- Petróleo - a história roubada
- O trabalho na China CELSO MING
- FH coordenará idéias de Alckmin DORA KRAMER
- A esquerda no poder Ives Gandra da Silva Martins
- O avanço do retrocesso Gaudêncio Torquato
- Temos um modelo CRISTOVAM BUARQUE
- Miriam Leitão Sem cerimônia
- Vamos colaborar JOÃO UBALDO RIBEIRO
- Merval Pereira O moralismo de Baudrillard
- Em breve, toda a turma reunida novamente
- The Crony Fairy By Paul Krugman
- Merval Pereira As doenças de Baudrillard
- Miriam Leitão Maioria mexicana
- Zuenir Ventura E se tudo for verdade?
- CLÓVIS ROSSI O difícil e o impossível
- FERNANDO RODRIGUES O valor da transparência
- Novos conflitos DENIS LERRER ROSENFIELD
- Copa da Educação GESNER OLIVEIRA
- Melhor adiar a reforma
- Epitáfio para um partido
- Celso Ming - O bolo e suas fatias
- Ao lado do ‘companheiro Dirceu’, Lula avisa: ‘Não ...
- Lula elege Casas Bahia como modelo de desenvolvime...
- DORA KRAMER Camisa de força
- Lucia Hippolito na CBN:Na mão do PMDB
- As práticas mais que condenáveis de Garotinho
- José Mentor se enrola em mais uma acusação
- Xerox é a solução para o caso dos quarenta
- Os problemas da campanha de Alckmin
- Chernobyl Vinte anos depois do desastre
- Criminalidade explode no governo Chávez
- Os países que buscam trabalhadores estrangeiros
- A disparada dos gastos oficiais
- Bolsa Família O que é o programa assistencial de Lula
- VEJA Entrevista: Renato Mezan
- MILLÔR
- Lya Luft Quebrar o silêncio
- André Petry No reino da bandalha
- Roberto Pompeu de Toledo Os brasileiros – uma nova...
- Diogo Mainardi Pedi o impeachment de Lula
- O epílogo da crise Ricardo Noblat
- clipping 28 de abril
- Dora Kramer - Desfaçatez como nunca se fez
- Impostura Demétrio Magnoli
- Presidente da OAB constrange Lula no STF
- Guilherme Fiuza Petrobras, a mentira
- Herança premiada
- Clóvis Rossi - O Brasil cabe na sua dívida?
- Eliane Cantanhede - O troco
- Jânio de Freitas - A seleção
- Merval Pereira - Política e religião
- Sinal de alerta nas contas
- O passado que reaparece
- Não são desnutridas
- Lula, seu galinheiro e o milharal
- Lesa-pátria
- Fugindo à razão
- A diplomacia do fracasso
- A deterioração das contas públicas
- Alberto Tamer - Petróleo não derruba economia
- Dora Kramer - O rato que ruge
- Luís Nassif - O desafio do gasoduto
- Míriam Leitão - Tá na cara
- Lucia Hippolito na CBN:Um estranho no ninho
- Neopeleguismo
- OAB reafirma: decisão sobre impechment sai em maio
- Casa da mãe Joana
- Fingindo-se de cego
- e assim é nossa politica.....
- Acalmar pelo terror?
- OPORTUNIDADE FISCAL
- MÉRITO EM XEQUE
- Crime sindical
- América do Sul desafia o Brasil::
- Acalmar pelo terror?
- A verdade da fome
- A OAB e o impeachment
- A crise é institucional
- A ameaça boliviana
- 'Drive-thru' do tráfico
- Clóvis Rossi - O silêncio e as cores do mundo
- Celso Ming - Evo ataca, Lula se omite
- Dora Kramer - À espera de um milagre
- Élio Gaspari - FFHH e Lula melhoraram o Brasil
- Fernando Rodrigues - A utilidade do vice
- Luís Nassif - O SUS e o elogio fatal
- Merval Pereira - As dores do parto
- Míriam Leitão - Erro estratégico
- Lucia Hippolito na CBN:Lerdeza e esperteza
-
▼
abril
(579)
- Blog do Lampreia
- Caio Blinder
- Adriano Pires
- Democracia Politica e novo reformismo
- Blog do VILLA
- Augusto Nunes
- Reinaldo Azevedo
- Conteudo Livre
- Indice anterior a 4 dezembro de 2005
- Google News
- INDICE ATUALIZADO
- INDICE ATE4 DEZEMBRO 2005
- Blog Noblat
- e-agora
- CLIPPING DE NOTICIAS
- truthout
- BLOG JOSIAS DE SOUZA