BLOG CASAGRANDE
Lula, na situação atual, conseguiu uma façanha. Consegui dissociar a sua imagem da do PT, como se o destino do seu partido fosse independente do seu. O partido, antanho, da ética desfraldou uma outra realidade, a da corrupção sistêmica que invadiu o aparelho de Estado, graças a uma estratégia leninista de aparelhamento desta instância que deveria representar o bem coletivo. O Estado se tornou uma espécie de "cosa nostra", mas o chefe da "sofisticada organização criminosa" aparece, para setores importantes da opinião pública, como sendo uma pessoa "distraída", que nada vê, nada ouve, nada sabe. Chegamos assim, neste quarto ano de mandato, a uma esdrúxula situação, que se caracteriza por uma esquizofrenia galopante. O PT afunda e o Presidente continua a navegar com maestria nessas águas revoltas.
Nestes últimos meses e, sobretudo, nestas últimas semanas, Lula tem acentuado os seus traços propriamente populistas. Como declarou o Dr. Paulo Brossard em recente entrevista ao Estado de São Paulo, o presidente está se colocando como o "pai e a mãe dos pobres". Ou seja, ele está se colocando numa posição análoga a de Getúlio, assumindo uma "paternidade" que se traduz pelo aumento do salário mínimo, por reajustes aos aposentados, pelo fortalecimento do bolsa-família e por um aumento dos gastos correntes do Estado. Provavelmente, a festividade do dia 1º de maio acentuará esses traços. Paralelamente ao seu populismo econômico, o seu populismo político avança a passos largos, pois a demagogia tomou completamente conta do seu discurso. As metáforas futebolísticas vieram a ser sistemáticas, o que o torna extremamente popular, pois compreensível para o eleitorado que procura alcançar. A sua fala, de um ponto de vista lógico, faz cada vez menos sentido, pois dissociada daquilo que realiza e do que o seu governo deveria representar. A sua tentativa de reinventar a roda de tão cansativa já se torna uma tolice. No entanto, Lula encontra eco e tem mantido a sua popularidade.
Enquanto isto, o PT faz como se a corrupção não fosse consigo e o comprometimento de seus dirigentes fosse um mero acidente. Se perguntados sobre o que pensam desses personagens "criminosos", os atuais dirigentes fazem como se não conhecessem os antigos, como se, cruzando numa rua, já não mais se reconhecessem. Declararam, inclusive, que as "instâncias partidárias" não teriam deliberado sobre o dinheiro ilícito. A desfaçatez é total. Nenhuma medida não é mais guardada. Contudo, a ideologização dos embates políticos segue o seu livre curso, como se a corrupção fosse um assunto entre "direita" e "esquerda". Mais preocupante, todavia, é que os documentos partidários estão reafirmando as bandeiras históricas do partido, recusando-se a qualquer revisão doutrinária e qualquer avaliação séria da corrupção pelo partido implementada. À guinada populista de Lula, o PT responde com uma radicalização ideológica, como se fossem diferentes, quando são, na verdade, duas faces da mesma moeda.
Não estranho a essa movimentação ideológica e política, e em consonância com ela, o MST amplia a violência no campo brasileiro, com ocupação de rodovias, invasão de propriedades e destruição de bens e maquinários das propriedades invadidas. O governo responde com a leniência de "companheiros" que se entendem. O Ministro chama de "movimentos sociais" uma organização política com fins revolucionários que não hesita em recorrer à violência e reitera, ainda, que o governo não irá "criminalizar" um movimento social. O que ele está dizendo com isto, senão que a lei não será respeitada? Chegamos hoje a uma situação em que o respeito ao estado de direito se torna objeto de uma decisão do Poder Executivo. A lei que impede a vistoria das terras invadidas e retira da lista dos assentáveis os invasores não é simplesmente obedecida. Ademais, os cidadãos deste país devem ainda ouvir discursos ocos que só tendem a radicalizar a situação. A conjugação desses três fatores não augura bem para um segundo mandato, caso ocorra a reeleição do Presidente Lula.
Entrevista:O Estado inteligente
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