É só adotar o conselho do garganta profunda
" "Follow the money", "Siga o dinheiro", é uma das frases mais
repetidas e mais festejadas do jornalismo investigativo dos últimos 30
anos.
Foi a sugestão do famoso "Garganta Profunda", o agente do FBI
americano que se tornou a principal fonte de uma das mais importantes
investigações políticas dos tempos modernos, o hoje clássico escândalo
Watergate, que terminou com a renúncia do presidente Richard Nixon,
para escapar de um processo de impeachment pelo Congresso americano.
Nixon sofreria o impeachment porque mentiu ao povo americano, ao
afirmar publicamente que não sabia de nada do que os membros do seu
partido e do seu governo fizeram contra a lei. Mentiu ao povo
americano quando grampeou conversas da oposição sem autorização da
justiça e, quando confrontado com o fato, mentiu de novo.
Mentiu também sobre as relações mais do que delicadas entre altos
funcionários de seu governo e práticas econômico-financeiras prá lá de
esquisitas.
Finalmente, Nixon caiu porque não entendeu a diferença entre público e
privado, porque aparelhou a Casa Branca e o governo americano com
jovens militantes do Partido Republicano, doidos para implantar na
administração pública americana uma tal de "economia de mercado". Os
waldomiros da década de 70 nos Estados Unidos.
Não foi só Watergate que derrubou o presidente do país mais poderoso
do mundo. A captura da administração pública dos Estados Unidos por um
grupo do Partido Republicano, interessadíssimo em fazer negócios, foi
parte importante do caminho que levou à desgraça de Richard Nixon.
O mais curioso é que o escândalo Watergate não foi suficiente para
impedir que Ricard Nixon fosse reeleito. Reeleito foi, mas não
conseguiu governar, vergado sob o peso das gravíssimas denúncias que
se confirmavam, dia após dia. Reeleito em novembro de 1972, Richard
Nixon renunciou em agosto de 1974.
Já no Brasil, nesta semana, a CPI dos Correios está começando a
chegar à ponta do fio da meada da corrupção no governo e nos partidos
aliados, ao aparelhamento do Estado, à compra do apoio de bancadas
para os projetos do governo.
Enquanto isso, membros da CPI têm seus telefones grampeados e suas
vidas vasculhadas, Deus-sabe-lá-por-quem.
Tudo isto porque as investigações na imprensa, na Polícia Federal, no
Ministério Público, ou nas várias CPIs, decidiram adotar o conselho de
Garganta Profunda: "Siga o dinheiro"."