Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, novembro 15, 2005

Lucia Hippolito Pato manco jogado ao mar

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"Desde agosto, quando foi atingido pela primeira denúncia de seu ex-assessor Rogério Buratti, o ministro da Fazenda Antônio Palocci transformou-se naquilo que se conhece na política como um pato manco.


Politicamente, Palocci está com os dias contados. Pode até permanecer no governo, como permaneceu José Dirceu depois do escândalo Waldomiro, em fevereiro de 2004.


Como um fantasma ambulante, alguém que parece que manda, mas não manda, alguém que parece que é importante mas não tem mais importância nenhuma.


Pior ainda: como se transformou num pato manco, Palocci vira alvo fácil de qualquer ataque, bem ou mal intencionado.
É pena, porque, além do presidente Lula, Palocci revelou-se o único popstar do governo.


Sim, porque transformar José Dirceu em popstar é uma tarefa que nem o presidente Lula, que gosta de inventar o Brasil todos os dias, seria capaz de realizar.


Mas Palocci revelou-se não apenas a melhor surpresa deste governo, como demonstrou ter imensa capacidade política de convencer aliados e adversários, aqui e no exterior, e de sobreviver à artilharia pesada vinda do PT e dos partidos da base aliada.


Sim, porque a verdade é que Antônio Palocci tem sido sustentado, durante esses três anos, pelo presidente Lula e pelas forças contras as quais o PT sempre se opôs: a oposição, o mercado financeiro, os bancos, as empresas e os organismos econômicos internacionais.


Atingido por denúncias pesadíssimas, Palocci vem sendo deixado ao desamparo. O mercado já retirou a rede de proteção. Ontem, o dólar subiu um pouquinho e a Bolsa caiu um pouquinho, mas nada que preocupe, ainda.


Palocci era um ativo importante, que foi banalizado pelo mercado. É como se sua saída ou sua permanência não significassem grande diferença. O mercado lançou Palocci à própria sorte.


Quanto ao presidente Lula, Palocci não deve contar com grande apoio. Lula tem um projeto importantíssimo e que hoje é prioritário em seu governo: trata-se de sua própria reeleição.
Por isso, Lula não vê o menor problema em jogar ao mar pessoas que o ajudaram a chegar à presidência, mas que se tornaram um estorvo para seu projeto de permanência na presidência.


Foi o que o presidente Lula fez com José Genoíno, Frei Beto, Luiz Gushiken, Delúbio Soares, José Dirceu, entre outros.


Palocci está dando salto triplo sem rede. O presidente Lula o lançou às feras, e o mercado não se incomoda com ele.


O último padrinho que restou a Antônio Palocci é uma madrinha, é a oposição. O que será que ela vai fazer?"

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