Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, julho 21, 2006

MARTA SALOMON Radical para multidões

FOLHA

BRASÍLIA - Coube ao ex-petista (desde 1994) César Benjamin a tarefa de apresentar, em mais alguns dias, o programa da chapa de Heloísa Helena ao Planalto. Embalado pelo salto nas intenções de voto, o candidato a vice na chapa do PSOL cuida de escrever "coisas radicais, mas não sectárias", adiantou.
Ele não quer falar apenas para um suposto eleitorado de esquerda, mas fazer campanha para ganhar a disputa. Ambição essa que até assustou Heloísa Helena. "Ela me olhou com olhar esbugalhado, como se estivesse diante de um louco", contou sobre o primeiro encontro com a senadora, em abril, pouco depois do convite inesperado para compor a chapa.
Sem usar o termo "calote" da dívida pública nem considerar o risco de governar sem votos no Congresso, Benjamin explica que o projeto do PSOL é "trombar" imediatamente com a especulação financeira e o toma-lá-dá-cá na política. Como? Cortando os juros e entregando a maioria dos cargos públicos a funcionários de carreira.
Benjamin diz que o Banco Central "é antes de tudo burro" porque lança mão dos juros altos como "granada para matar mosquito". Crítico das metas de inflação, um dos pilares da atual política econômica, confia em que dificilmente o país verá os preços fugirem ao controle novamente: "Só muita barbeiragem para a inflação voltar a subir".
Até o Bolsa-Família, badalado por Lula e respeitado por Alckmin, recebe reparos do candidato a vice do PSOL. Os benefícios melhoraram a renda dos mais pobres. A queda da desigualdade social não teria medido, porém, a falta de investimentos em saneamento e educação.
Benjamin reclama que a campanha deveria discutir questões mais amplas, um projeto de país, mas não entrará em muitos detalhes no programa. Acha que opinião pública desconhece tecnicalidades.

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