Entrevista:O Estado inteligente

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Palocci fala em deixar ministério para disputar mandato no Congresso

19.12, 09h38
Blog do Josias de Souza

A julgar pelos desabafos que tem feito em diálogos com seus auxiliares mais próximos, o ministro Antonio Palocci (Fazenda) planeja deixar o governo nos primeiros meses de 2006. Embora ainda não admita de público, Palocci revela na intimidade o desejo de disputar uma cadeira no Congresso Nacional.

Pela lei, os ministros candidatos precisam se desvincular de seus cargos até 30 de março. Mas Lula não tem a intenção de esperar até o último dia. Deseja reformar o ministério no máximo até o fim de fevereiro.

No mês passado, engolfado pela crise política, Palocci ameaçou, por mais de uma vez, pedir demissão. Insinuou o desejo de sair em três reuniões que manteve com Lula. Foi contido pelo presidente que, de resto, não o levou a sério.

Palocci estava desgostoso com a colega Dilma Rousseff (Casa Civil), que atacara a política econômica publicamente. Suas ameaças foram interpretadas como mero mecanismo de pressão para que Lula o prestigiasse. Foi bem sucedido.

Depois de uma série de pronunciamentos dúbios, Lula disse que Palocci permaneceria na pasta da Fazenda até o último dia do governo. A despeito do timbre afirmativo, o presidente já não exibe a mesma disposição de apelar a Palocci para que fique.

Se levar avante a idéia de oficializar a candidatura ao Legislativo, provavelmente para um mandato de deputado federal, Palocci deve ouvir palavras de estímulo de Lula. Reservadamente, o presidente utiliza uma expressão da engenharia aeronáutica ao referir-se à atual gestão econômica: "Fadiga de material".

Lula deseja dar novo impulso à economia. E avalia que Palocci talvez não seja a pessoa adequada para promover os ajustes que idealiza. A eventual saída de Palocci conduziria naturalmente a uma segunda mudança na equipe econômica. Junto com o ministro, pode deixar o governo o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Meirelles cultiva um sonho. Quer ser governador de Goiás, o seu Estado. Para assumir o BC, ele renunciou à cadeira de deputado federal pelo PSDB, que conquistara nas eleições de 2002. Mas não abandonou os seus contatos no mundo da política. Entre as legendas que ambicionam a filiação de Meirelles está o PTB.

Lula ainda não sabe quem irá colocar no lugar de Palocci caso o ministro confirme a intenção de concorrer às eleições. Até o mês passado, o nome de sua predileção era o do senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Mas o líder do governo, num movimento sem volta, lançou sua pré-candidatura ao governo de São Paulo em encontro estadual do PT realizado há duas semanas.

Na cabeça de Lula, o novo ministro precisaria reunir duas qualidades aparentemente contraditórias. Teria de ser conservador o bastante para não assustar o mercado financeiro e ousado o suficiente para recolocar o Brasil na rota do desenvolvimento econômico.

A retomada do crescimento no ano eleitoral de 2006, imagina Lula, é algo que pode ser obtido sem alterações bruscas de rumo. Bastaria flexibilizar a execução orçamentária, administrando a torneira de investimentos públicos, e reduzir os juros mais aceleradamente nos próximos meses.

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