FOLHA DE SÃO PAULO - 05/03/11
SÃO PAULO - E o WikiLeaks chegou a Pindamonhangaba. E chegou bem agora que Geraldo Alckmin é o maior nome do PSDB no Estado. É provável que os documentos tenham vazado exatamente por isso.A Folha revelou que o atual secretário da cultura de Alckmin, Andrea Matarazzo, dizia, em 2006, que seu chefe era um político "de orientação direitista" que "não tinha a menor ideia de como conduzir uma campanha nacional". Alckmin era candidato à Presidência; Matarazzo, coordenador das subprefeituras de Gilberto Kassab (de quem se separou em 2008).
Segundo os documentos, Matarazzo disse ao cônsul-geral dos EUA em São Paulo que Alckmin é "obviamente um membro do Opus Dei" (o que o governador sempre nega). Disse ainda que Serra não tinha nenhum interesse de ver o aliado vencer e que o partido "não estava unido" em torno do candidato.
Alguma grande novidade? Nenhuma. Até o padeiro de Pinda já sabia disso. Constrangimentos? Certamente. É divertido, em primeiro lugar, que um ícone da esquerda tucana como Matarazzo desdenhe do "direitismo" do governador.
Não é só entre os tucanos que existem futricas, maledicências, intrigalhadas. Elas estão em toda parte -sabemos disso. Os petistas, no entanto, são profissionais. Existem e agem, de fato, como um partido.
Mais do que pelos segredos de polichinelo que revela ou pelas consequências que porventura tenha, o WikiLeaks de Pinda vale como alegoria da falta de coesão e de identidade do PSDB. Matarazzo, o vilão acidental deste episódio, apenas reforça o clichê de que a culpa, no final, é sempre do mordomo.
A verdade é que, no caso do PSDB, ninguém precisa de WikiLeaks. Suas fraturas estão expostas, escancaradas. O partido não consegue nem unificar um discurso a respeito do salário mínimo. Serra joga fogo e Aécio vem com o extintor. E, justiça seja feita, é o "caipira de direita" quem hoje esfria a crise e impede que o ninho queime de vez.
Entrevista:O Estado inteligente
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