Se arrependimento matasse...
Nota aqui publicada perto das 22h de ontem
"Era previsível que Alckmin usasse seu mais recente programa de propaganda eleitoral na televisão para bater duro em Lula.
O escândalo do dossiê contra Serra serviu de gancho para que Alckmin resgatasse os escândalos que jaziam esquecidos.
Lula deve estar tendo mais um acesso de fúria onde quer que se encontre. Nem seus mais ferrenhos adversários seriam capazes de fazer contra ele o que fizeram seus diletos companheiros.
A resposta de Lula também era previsível. Ela veio depois que Lula afastou seu coordenador de campanha, Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT.
Berzoini está para o escândalo do dossiê como José Dirceu esteve para o escândalo do mensalão.
Até o dia das eleições, irão ao ar mais três programas de propaganda de candidatos a presidente. E oito edições do Jornal Nacional e uma do Fantástico.
O escândalo do dossiê não sairá de cartaz tão cedo. E mesmo que Lula se reeleja no primeiro turno, o escândalo continuará a produzir embaraços para ele e o governo.
Não haverá clima para que Lula festeje em grande estilo uma eventual reeleição. Ele terá maiores dificuldades para montar o governo dos seus sonhos.
Enfrentará uma oposição que radicalizou seu discurso na reta final da campanha - e que estará impedida de se aproximar dele para não parecer incoerente.
Fora problemas com a Justiça decorrentes de denúncias e processos antigos e novos. Quanto mais os processos se arrastarem, pior para ele e o governo.
O fantasma do impeachement assombrará Lula durante um ano ou um pouco mais. E mesmo que não se materialize, servirá para enfraquecê-lo.
Pelo resto de sua vida, Lula que criou tantos ministérios e secretarias especiais no seu primeiro governo se arrependerá de não ter criado o Ministério do Vai dar Merda.
Não foi por falta de sugestão.
Blog: Ricardo Noblat