| artigo - Sergio Fausto |
| O Estado de S. Paulo |
| 22/9/2006 |
- O assessor para assuntos de segurança pessoal do presidente da república, com sala na sede do governo e relações de intimidade com o próprio chefe de estado, é apontado como a origem da encomenda de um dossiê falso para atacar líderes da oposição, pelo qual se pagaria vultosa quantia, de origem ignorada; - um homem-chave do comitê de campanha do presidente-candidato, que como o anterior priva de sua amizade e é comensal freqüente de churrascos na casa presidencial, também participa da operação, assim como um diretor de “gestão de risco” (sic) do maior banco sob controle governamental, além de outros personagens secundários ligados ao partido do presidente e à atividade de levantamento de fundos de campanha; - um ex-secretário do ministério do trabalho, igualmente pertencente ao círculo de amizades do presidente da república, marido de uma de suas secretárias, igualmente integrante do comitê do candidato, participa da tentativa de veicular o referido dossiê por meio de uma revista que recusa a oferta e posteriormente denuncia o fato (o dossiê vem a público por meio de outra publicação, de conhecida versatilidade política e empresarial); - o presidente do partido do presidente, seu ex-ministro em duas pastas, e chefe de campanha, toma conhecimento da primeira tentativa e não a impede; - o presidente da república, diante da gravidade dos fatos, diz que a oposição quer “melar as eleições” e jura determinação em apontar os culpados. Simultaneamente, os mais diretamente envolvidos na operação, todos eles de menor escalão, se demitem dos cargos ou funções que ocupam. No roldão, é forçado a demitir-se o presidente do partido do presidente-candidato (não do cargo de presidente do partido, mas de chefe da campanha); - o presidente da república repete, no episódio, a mesma atitude adotada em ocasião anterior, quando, ainda no início de seu governo, um importante assessor da casa civil, responsável pela “articulação política” com o Congresso, é flagrado extorquindo propina de um grande “empresário” do ramo dos jogos de azar, em troca de favorecimento em contratos com o governo e de apoio à legalização da prática do “bingo”; - o chefe do assessor, na época, homem forte do governo, diz desconhecer as atividades do subordinado, mantém a braçadeira de “capitão do time” e continua jogando. O assessor, qual fusível queimado, é descartado; - um ano mais tarde, o mesmo presidente volta a adotar igual atitude quando, por denúncia de um deputado aliado, vem à tona um esquema de corrupção industrial de deputados federais, financiado com recursos públicos, sob a maquilagem de empréstimos bancários urdidos pelo tesoureiro do partido do presidente e por um “publicitário” conhecido no meio político como emérito “operador de recursos”. Entre os beneficiados do esquema, além de parlamentares, aparece o marqueteiro-mor do candidato-presidente-candidato; - vários dirigentes de proa do partido do presidente e de seus ministros mais importantes são apontados, sob indícios veementes, como participantes do esquema acima descrito e de outros, descobertos no mesmo caudal de investigações parlamentares; - o “capitão do time”, apontado por ninguém menos que o Procurador-Geral da República como peça-chave de atividades qualificadas como “típicas de uma quadrilha”, dessa vez não resiste e sai do governo. Na mesma denúncia, o Procurador enquadra cerca de 40 pessoas, grande parte delas altos dirigentes do partido do presidente e ministros do governo, além de representantes de partidos da base parlamentar governista; - por força dessa denúncia e de outras que se sucederiam, quatro ministros do governo respondem a processos no Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles o “capitão do time” e outros dois de comparável peso político. Este é o Brasil de Lula, em cujo governo faltam probidade administrativa, compostura política e civilidade democrática. Um Brasil em que - não bastassem os fatos acima relatados - o presidente da república se refere a países e chefes de estado vizinhos, na frente de várias pessoas, em termos chulos e ofensivos, registrados em livro recente de uma dupla de repórteres (Viagens com o Presidente, de Eduardo Scoleso e Leonêncio Nossa). Um Brasil em que o presidente da república chama um senador da oposição de “hamster” e é obrigado a ouvir a réplica de que seria um “rato etílico”. Um Brasil que, segundo o ministro das relações institucionais, na sua linguagem característica, estaria num “processo de recomposição democrática num plano superior” (Folha de S.Paulo, Tendências e Debates, 3 de setembro). Não, senhor ministro, a verdade é que, 21 anos após a reconquista da democracia, nunca estivemos num “plano” tão baixo. E grande parte da responsabilidade por isso é do governo a que o senhor pertence e do homem que hoje ocupa a presidência da república. Este é o Brasil de Lula. Resta saber se é este o Brasil que queremos. Se, de fato, não queremos, está mais que na hora de dizer “basta”, em alto e bom som, na imprensa, nas ruas e nas urnas, onde for, por todos os meios legítimos que a democracia nos oferece. P. S. - Contrariando as regras, grafei em minúsculas as instituições e postos mencionados. Pareceu-me condizente com o estado em que atualmente se encontram. As exceções ficam por conta do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria Geral da República, que não se apequenaram a esse ponto |
Entrevista:O Estado inteligente
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