FOLHA
Credibilidade da Polícia Federal enfrenta sua prova de fogo; lance decisivo é identificar origem do dinheiro
IMPESSOALIDADE é o que se espera -mais, é o que se exige- da Polícia Federal na condução dos inquéritos acerca do chamado escândalo do dossiê. Não é trivial apurar todas as circunstâncias da trama criminosa que, partindo do núcleo da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, deslanchou um plano para desmoralizar adversários através da compra de informações com dinheiro sujo.
O que está em jogo são as condições eleitorais, legais e políticas para um eventual segundo mandato do presidente da República. Toda sorte de pressão é esperada quando falta apenas uma semana para a votação.
A favor da corporação pesa o seu comportamento recente. A Polícia Federal evoluiu institucionalmente ao longo do governo Lula. Hoje ela investiga delitos e planeja ações com mais eficiência. Suas "operações" anticrime, que foram se multiplicando com o passar do tempo, têm tido impacto positivo no combate a bastiões simbólicos da impunidade -juízes, políticos e empresários não deixaram de ser investigados e detidos pela PF.
Os agentes federais, no entanto, nunca tiveram de lidar com uma situação politicamente tão espinhosa quanto a deflagrada pela prisão, na capital paulista, de dois petistas com R$ 1,7 milhão na semana passada. O episódio do caseiro Francenildo Costa, cujo sigilo bancário foi violado pela Fazenda em março deste ano, é o que mais semelhanças guarda com o das diatribes dos "companheiros" Jorge Lorenzetti, Oswaldo Bargas "et caterva".
Daquela feita, porém, a pressão política caiu bastante depois da demissão de Antonio Palocci Filho, e o trabalho da PF acabou subsidiando denúncia aparentemente vigorosa do Ministério Público contra o ex-titular da Fazenda. Agora, é o presidente da República, que não pode ser afastado como se afasta um ministro, que está no centro da crise.
O balanço preliminar da ação da Polícia Federal contra o "dispositivo de inteligência" da campanha lulista tem altos e baixos. A corporação logrou detectar o ato ilícito ainda em gestação e agir com rapidez para deter os suspeitos em flagrante, minimizando a chance de destruição de provas. Foi parcial, porém, ao mostrar apenas parte das evidências capturadas. Exibiu as fotos que supostamente comprometiam José Serra, mas proibiu a divulgação de imagens do dinheiro apreendido com a dupla do PT.
Suspeita também foi a decisão de aumentar o controle da cúpula da PF sobre o caso, afastando do inquérito o delegado que deteve os petistas em São Paulo.
A prova de fogo da Polícia Federal ainda aguarda o lance decisivo: a revelação da fonte do dinheiro para remunerar o "dossiê" contra candidatos tucanos. Não há razão para demora nesse procedimento. Os bancos devem dar ciência imediata ao Coaf -órgão da Fazenda que monitora lavagem de dinheiro- sobre cada saque acima de R$ 100 mil. Daí a se identificarem o sacador e suas conexões com o resto da quadrilha, não há de ser difícil.
Uma falha da PF nesse caso -um flerte com a politicagem- e vai para o ralo a credibilidade conquistada pelo órgão até aqui.
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