| Panorama Econômico |
| O Globo |
| 12/9/2006 |
O ex-presidente Fernando Henrique está certo em sua carta, mas errou no momento escolhido: ela é tardia. Numa campanha em que o favorito diz que democracia não é apenas coisa limpa e que seus acólitos propõem ao país uma espécie de "operação mãos sujas", é preciso olhar além da eleição e fixar pontos e princípios. O Brasil não pode sair desta eleição achando que o resultado das urnas consolidará um patamar mais baixo de exigência moral no país. Está certo o ex-presidente quando critica o próprio partido pelo erro no caso do senador Eduardo Azeredo. O senador era presidente do PSDB quando surgiram denúncias de que usara o valerioduto para pagar contas de campanha. O certo a fazer era tirá-lo da presidência imediatamente e investigar o caso. Não foi o que os tucanos fizeram. Azeredo diz que é diferente porque ele não pagou mensalão. Isso atenua o caso, mas não elimina as dúvidas. Era preciso ir fundo, e o PSDB preferiu ficar em cima do muro. Criou um ponto vulnerável, e a contradição ricocheteou: reaparece diante do candidato Alckmin em todas as entrevistas que concede. Está certo Fernando Henrique também quando quebra o estranho consenso em favor da lista fechada para a reforma política. A maioria dos políticos, quando fala da reforma dos sonhos, lista esse item, como fez o candidato Geraldo Alckmin na entrevista que deu ao GLOBO. Os políticos não conseguem explicar em que a vida do eleitor melhora se a direção do voto for decidida pelas direções partidárias, e não pelo eleitor diretamente. Nós temos vários problemas políticos, e essa solução não ataca nenhum deles: fortalece as mesmas lideranças que, em vários partidos, estão sob suspeição; reduz a possibilidade de renovação partidária num momento em que a política está precisando de sangue novo. A carta foi criticada porque teria trechos cujo sub-texto pode ser entendido como admissão antecipada da derrota. Ora, para que - repetindo os termos usados pelo ex-presidente - tapar o sol com a peneira? O presidente Lula está quase reeleito de fato; a distância que tirou dos seus oponentes os faz comer poeira. Tem tido oscilações nas últimas pesquisas que reduzem essa distância, mas é uma queda tão lenta que não indica uma mudança radical no cenário. Mesmo se houver segundo turno, será um segundo turno competitivo ou apenas confirmatório? O que faltou na carta de Fernando Henrique foi a autocrítica que ele deveria fazer por ter introduzido no país o nefasto segundo mandato. O que se viu este ano de uso da máquina é indecoroso. O Brasil não institucionalizou meios e modos de fazer uma separação entre candidato e presidente por falta de experiência democrática. Mas, se antes havia dúvida, agora há certeza: a reeleição prejudica o país. Nos estados, o mesmo espetáculo de uso dos recursos públicos em proveito do ocupante eventual do cargo tem sido a regra. Não se passou pelo teste. Um mandato de cinco anos, sem reeleição e, de preferência, sem volta ao poder, como é a regra do México, é a melhor forma de confirmação do princípio da alternância no poder. No Brasil, formou-se um mito curioso: o de que quem está em desvantagem não pode atacar os pontos fracos dos seus oponentes, porque isso se voltará contra o atacante como efeito bumerangue. Os Estados Unidos estão entrando nos últimos 60 dias de campanha para a renovação parcial do Congresso. A eleição de meio turno é fundamental para decidir a força que terá o governo no final do mandato. Os republicanos correm risco de perder. Se perderem 15 cadeiras na Câmara e seis no Senado, os democratas controlarão as duas casas. O que tem ocupado o debate político são os erros em relação à guerra do Iraque. Entre outras revelações sobre manipulação de informações por parte do governo do presidente Bush, um relatório do Senado mostrou que não havia ligação entre a al-Qaeda e o governo de Saddam Hussein, levantando dúvidas sobre a necessidade da guerra que deu a Bush um segundo mandato e tirou a vida de 2.669 americanos. A estratégia dos republicanos, em resposta, será a de fazer dossiê com informações pessoais e constrangedoras sobre os principais adversários em cada estado, para iniciar o ataque, segundo contou o "Washington Post" de domingo. O argumento dos líderes republicanos é que é preciso "definir" o adversário e dar ao eleitor provas de que o candidato não é confiável, não é uma escolha aceitável. Não há nada de louvável nessa estratégia, na qual o Partido Republicano admite que gastará 90% do seu grande orçamento de propaganda eleitoral, mas é curioso que lá, ao contrário daqui, eles achem que atacar o adversário é a melhor forma de contribuir para a escolha do eleitor. "Quando você está num ambiente politicamente adverso, você tenta, ao máximo, personalizar a disputa", disse o deputado republicano por Oklahoma Tom Cole, ouvido pelo jornal americano. Essa obsessão pela vida pessoal dos candidatos é uma característica nitidamente dos Estados Unidos, mas a idéia de que quem está num ambiente adverso ataca é universal. No Brasil, estamos fazendo uma campanha diferente de tudo: ela não tem ataques, mesmo com todos os pontos vulneráveis do governo; mas também não tem debate de idéias e propostas. Uma campanha nada, que pode estar passando a deletéria idéia de que o eleitor brasileiro pouco se importa com a corrupção. O que é relevante nesta eleição não é quem vai ganhar, mas que princípios e práticas políticas estarão consagradas após o fechamento das urnas. |
Entrevista:O Estado inteligente
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