| O Globo |
| 12/9/2006 |
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem feito análises muito objetivas, e nada emocionais, sobre a correlação de forças dentro do PSDB para a disputa presidencial em 2010, mesmo que, ao contrário do que deu a parecer no manifesto que divulgou recentemente, se diga ainda confiante na realização do segundo turno. Diz que tinha um duplo objetivo quando divulgou a já famosa carta aos militantes e simpatizantes no site do PSDB: pôr mais lenha na militância, nesta reta final, e preparar o partido para um revigoramento futuro. Embora cite as motivações nessa ordem - porque enfatiza que ainda acredita num segundo turno - pelo que tem conversado as motivações não precisam obedecer exatamente a essa ordem. Embora tenha ressaltado a amigos, a partir das discussões que seu manifesto gerou, que considera muito cedo para pensar em 2010, o ex-presidente tem análises bastante claras da situação dos dois principais contendores dentro do PSDB. Dizendo-se um realista, ele define com simplicidade as possibilidades de cada um: chegará lá quem melhor acumular forças. Tem dito que a ele corresponde o papel de evitar atritos antes da hora, pois, caso contrário, adverte, o lulismo-peemedebismo virá com força e o governador de Minas, Aécio Neves, poderá se transformar apenas num "inocente útil". Fernando Henrique faz essas observações com base nos boatos que indicam uma tendência do governador mineiro de mudar de partido - hipótese admitida formalmente em uma entrevista recente, caso a seção paulista continue dominando o partido. Em conversas informais, Fernando Henrique tem dito que o governador de Minas tem qualidades e pode muito bem representar o que chama de "progressismo", e admite que Aécio talvez seja, de fato, o mais capaz de juntar forças. Nesse caso, diz que o ajudará, mas adverte que ele tem que tomar cuidado para não se descaracterizar e não virar "instrumento das forças do atraso", em referência à tentativa de Lula de aproximar Aécio do PMDB, aventando a possibilidade de ele vir a ser o candidato oficial à sua sucessão. Fernando Henrique admite, por outro lado, que José Serra, virtualmente eleito governador de São Paulo e que seria seu candidato preferido, terá que se livrar da fama de ser "muito paulista", e somar setores que não gostam dele. Esse comentário se refere à campanha que Aécio Neves vem fazendo, reivindicando uma descentralização de decisões para que líderes de outros estados possam participar mais do partido. Em qualquer hipótese, comenta Fernando Henrique, o PSDB terá que assumir conscientemente seu papel de propulsor da decência e do "capitalismo popular e modernizador", ou levará a melhor o que classifica de "engodo corruptor clientelista-estatizante". Retornando de Bariloche, onde passou quatro dias, Fernando Henrique tem se mostrado surpreso com o que classificou a amigos como "interpretações desencontradas" de suas intenções, atribuindo-as "à velha mania brasileira de julgar intenções e não fatos". Fernando Henrique comenta que é normal que os lulistas usem essa técnica, que, na sua opinião, seria a melhor maneira para "não responderem o que não podem", mas tem lamentado que alguns tucanos tenham se utilizado da mesma mania ao comentarem seu manifesto. O ex-presidente rejeita análises que lhe atribuem a intenção de prejudicar Geraldo Alckmin, jogando a toalha; ou que tenha decidido abrir guerra antecipada contra Aécio; ou ainda que esteja aborrecido por não estar participando da campanha; ou despeitado pelos resultados do governo Lula. Ele tem dito que sua preocupação é basicamente político-ideológica, e garante que se manterá no papel que se atribuiu desde que deixou a Presidência: opinar, com a força que tiver, nas questões públicas e partidárias, mas não se dissolver no que classifica de eleitoralismo - "papel que já não me corresponde", como tem comentado particularmente. O ex-presidente não se arrepende de ter citado o senador Eduardo Azeredo em sua carta, e lembra que teve o cuidado de dizê-lo decente, e de culpar os tucanos, ele incluído, por não terem enfatizado que, entre os principais responsáveis pelo episódio ligando o lobista Marcos Valério a Azeredo, na eleição de 1998, estava Mares Guia, então vice de Azeredo e hoje ministro do Turismo de Lula. Na qualidade de presidente de honra do PSDB, insiste em que foi errado o partido não exigir a demissão imediata de Azeredo da presidência. Esse reconhecimento público, tem comentado Fernando Henrique, era indispensável para que pudesse criticar, com a dureza que fez, o que classificou de "desmandos petistas-lulistas". O ex-presidente não teme coincidências: embarcou ontem mesmo, 11 de setembro, para os Estados Unidos, onde terá um encontro empresarial em Washington, lançará a segunda edição do seu livro em Austin, na Universidade do Texas, participará de uma reunião de World Resources International - uma ONG ambientalista - e, em Nova York, de uma mesa-redonda organizada pela Clinton Global Initiative, com Bill Gates e a presidente de Brown University, Ruth Simmons. Ele partiu confiante em que a onda provocada pela carta passará, mas explicou a alguns amigos que seus propósitos "podem ter sido bem ou mal logrados, mas não eram outros". |
Entrevista:O Estado inteligente
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