Entrevista:O Estado inteligente

sábado, setembro 23, 2006

Grampo no telefone de ministros do Supremo e do TSE

VEJA

Bruxaria contra
ministros do TSE

Grampos telefônicos mostram que a
baixaria nesta eleição não tem limites



Diego Escosteguy



O Tribunal Superior Eleitoral está desde a semana passada em estado de alerta. Rastreamento feito por uma empresa de segurança detectou a existência de grampos nas linhas telefônicas privativas dos gabinetes dos ministros Marco Aurélio Mello, presidente do tribunal, Cezar Peluso, vice-presidente, e Marcelo Ribeiro, encarregado de analisar infrações na propaganda eleitoral na televisão. Os responsáveis pelo crime não foram identificados – e dificilmente serão –, embora a ação tenha deixado rastros evidentes sobre o objetivo dos autores. O voto de um desses ministros pode levar à ruína interesses poderosos ou provocar a impugnação de uma candidatura. A uma semana das eleições, uma sentença conhecida com antecedência é mercadoria valiosa. Por isso, entre os ministros, não há dúvida de que os grampos têm ligação com as eleições de domingo. O ministro Marco Aurélio se diz assustado com a ousadia e não descarta a possibilidade de a ação ter como responsáveis pessoas diretamente interessadas na disputa, seja na condição de candidato ou de partido político. Segundo a empresa de segurança contratada pelo tribunal, a interceptação foi trabalho de profissionais. Crítico ferrenho da reeleição desde o início do processo, Marco Aurélio foi acusado de ser tendencioso pela coordenação de campanha do PT.

A suspeita de que os telefonemas dos ministros estavam sendo bisbilhotados surgiu há duas semanas, quando Cezar Peluso se queixou ao presidente de barulhos estranhos nas ligações feitas de seu gabinete no Supremo Tribunal Federal. Dos sete ministros do TSE, três são oriundos do Supremo. Por isso, os técnicos resolveram estender a varredura aos gabinetes do STF. Por meio de medições eletrônicas, os peritos descobriram que as linhas privativas dos gabinetes de Marco Aurélio Mello e Cezar Peluso estavam realmente sendo monitoradas por alguém de fora do tribunal. Encontraram também um grampo no aparelho de fax do ministro Marcelo Ribeiro, no TSE. Essa, aliás, é a principal pista que revela o interesse dos criminosos. Pelo fax o ministro transmite o voto de seu escritório para o gabinete. "É o descalabro deste país, não se respeita mais nada", criticou o presidente da OAB, Roberto Busato. "Evidentemente quem está disputando as eleições sem fraudar a legislação não tem interesse algum em grampear telefone de ministro. Quem grampeou é porque está agindo à margem da lei." Na segunda-feira da semana passada, o presidente do TSE pediu ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, que acompanhe as investigações. "Se isso acontece com ministros do Supremo, qual é a segurança do cidadão?", indagou Marco Aurélio.

Segundo os técnicos da empresa responsável pela varredura, os grampos foram colocados em algum ponto da rede, entre os prédios do STF e do TSE e a central da companhia telefônica. Na quinta-feira, exatos quatro dias depois de o tribunal ter anunciado a descoberta das escutas, uma equipe da Polícia Federal vasculhou a central da Brasil Telecom, a operadora de telefonia responsável pelo setor, e não encontrou nenhum vestígio de instalação de equipamento de grampo. A empresa, por meio de nota, também informou não ter constatado nenhuma violação na sua rede. É óbvio que, diante da divulgação do caso, os criminosos, se realmente eram profissionais, retiraram as escutas e apagaram os vestígios. O ministro Marco Aurélio explicou que decidiu divulgar a descoberta dos grampos antes de pedir a investigação oficial como forma de inibir a ação dos criminosos.

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