Entrevista:O Estado inteligente

sábado, julho 08, 2006

VEJA - PSDB com métodos de PT


Tucanos imitam a arrogância petista,
recusam-se a apoiar os aliados
e ajudam pouco seu candidato


Otávio Cabral

Alex Silva/AE
Alckmin defende a reeleição no Roda Viva: mal-estar com Aécio e Serra


Quem acompanha a vida política nacional sabe que o PT sempre teve pretensões hegemônicas, sempre se comportou de modo exclusivista na hora de fazer alianças – e, com tudo isso, sempre atrapalhou a vida de seus candidatos a cargos majoritários. A novidade é que o PSDB tem feito a mesmíssima coisa. Na quinta-feira passada, o tucano Geraldo Alckmin lançou oficialmente sua campanha em Florianópolis. Escolheu a capital catarinense porque ali, e quase que só ali, o PSDB não fez muxoxos e aceitou apoiar o candidato do PMDB ao governo do estado, viabilizando uma ampla aliança. Em outros nove estados, Geraldo Alckmin perdeu a chance de cercar-se de apoios sólidos porque os tucanos não aceitaram ceder nem um milímetro de terreno aos aliados. "A soberba dos tucanos acabou esvaziando o palanque de Alckmin", diz o deputado Pauderney Avelino, vice-líder do PFL na Câmara e candidato a senador pelo Amazonas. "Eles querem ser hegemônicos, não aceitam ser coadjuvantes."

Um caso emblemático aconteceu no Rio Grande do Sul, o quinto maior eleitorado do país. Os tucanos não toparam apoiar a reeleição do governador Germano Rigotto, do PMDB, e insistiram em lançar a tucana Yeda Crusius, que tem apenas 11% nas pesquisas eleitorais. O resultado é que Rigotto e Yeda estão disputando o mesmo eleitorado, e o governador-candidato, irritado com os tucanos, vive ameaçando pular para o palanque do presidente Lula. Quem anda feliz da vida é o petista Olívio Dutra, que disputa a liderança das pesquisas com Rigotto. Ambos têm 26% das intenções de voto. Com o PFL, seu aliado mais antigo e mais fiel, os tucanos vêm sendo especialmente intolerantes. No Maranhão, recusaram-se a apoiar a candidatura da pefelista Roseana Sarney (65% das intenções de voto) e preferiram fazer marola com o puro-sangue tucano Anderson Lago (1% nas pesquisas). Resultado: Roseana aderiu à reeleição de Lula.

Carlos Moraes/Ag. O Dia/AE
Mauro Vieira/Zero Hora/AE
Denise Frossard e Rigotto: briga com PSDB nos estados tirou os dois candidatos do palanque do presidenciável

"Em alguns estados, há problemas de rivalidade histórica, como na Bahia e no Maranhão", diz o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia. "Em outros lugares, como no Rio, o problema é psiquiátrico." No Rio, os tucanos decidiram lançar o deputado Eduardo Paes ao governo (4% nas pesquisas) em vez de aderir à frente partidária que lançou Denise Frossard, na qual convivem PPS, PFL e PV. Denise (10% nas pesquisas) não anunciou apoio a Lula, mas também não quer saber de Alckmin no seu palanque. "Nós temos o PT como inimigo, só que somos iguais a eles. Arrogantes, achamos que o mundo gira em torno de nós", admite um líder do PSDB.

Com dezoito anos de existência, o PSDB construiu uma história na qual sempre demonstrou tolerância com os aliados. Em 1994, para eleger Fernando Henrique, juntou-se ao PFL, num casamento que se mantém até hoje. O que explica a mudança de comportamento são as ambições presidenciais dos tucanos José Serra e Aécio Neves. Em todos os estados onde o PSDB tromba com o PFL, quem lidera o salseiro são sempre aliados de Serra ou de Aécio. O raciocínio é cínico, simples e sempre negado pelos envolvidos: para Serra e Aécio, é melhor Lula se reeleger agora, de modo que, em 2010, eles possam concorrer à Presidência. Se Alckmin ganhar, em 2010 tentará a reeleição. Por essa cronologia, Serra e Aécio precisam adiar suas pretensões para 2014. Para azedar de vez o humor dos dois, Alckmin, em entrevista ao programa Roda Viva na semana passada, defendeu a manutenção da reeleição. Como se vê, o tucanato é um time tão entrosado como aquele que foi à Alemanha buscar o hexa...

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