| Panorama Econômico |
| O Globo |
| 21/7/2006 |
O déficit fiscal americano está em queda forte. Para o ano fiscal de 2006, que termina em setembro, ele será de 2,3% do PIB; 30% menos que o previsto pelo próprio governo. Mas o mercado financeiro internacional nem olha para essa boa notícia e continua em seu ritmo irracional. Na quarta-feira, o discurso de Ben Bernanke provocou uma onda de euforia; ontem, Bernanke repetiu o mesmo discurso e a reação foi oposta: queda em todos os mercados. Os Estados Unidos estão com suas contas chegando a níveis muito melhores que os estabelecidos pelo Acordo de Maastricht como parâmetro para a Europa. Nos últimos anos, o desequilíbrio nas contas públicas americanas preocupou o mundo. O governo Bush não apenas aumentou muito os gastos com sua máquina de guerra, como reduziu as receitas com o corte de impostos. Uma grande preocupação dos analistas era com os “déficits-gêmeos”. Hoje o déficit fiscal está desaparecendo, e o déficit em transações correntes continua alto. Mas o mercado passou a olhar para outros números de mais curto prazo. Em maio e junho, a oscilação de bolsas, moedas, títulos foi provocada pelo temor de que os juros americanos continuassem a subir. O depoimento do presidente do Fed no Senado, anteontem, deixou o mercado eufórico, todas as bolsas subiram, houve reação positiva nos ativos. Ontem, Bernanke repetiu a mesma conversa na Câmara dos Deputados, mas o dia foi de queda generalizada nas bolsas. Como entender este mundo? — O mercado está olhando é para os movimentos de política monetária dos Estados Unidos e não para fundamentos, como déficit fiscal. Na quarta-feira, a declaração de Bernanke trouxe alívio e o mercado subiu. Mas os fundos perderam muito com a volatilidade de maio e junho. Quem gosta de gráfico vê isso claramente. Por isso, aproveitam cada elevação do mercado para vender e sair da posição — explicou Nuno Câmara, do Dresdner em Nova York. O economista Ricardo Amorim, do WestLB, acha que a comemoração do mercado anteontem não foi pelo que Bernanke disse, mas pelo que não disse: — Todos estavam posicionados para uma declaração muito ruim, e ele não fez isso. Assim, houve um ajuste técnico. Quanto ao déficit fiscal mais baixo, Amorim explica que o mercado não comemora a queda, porque também não se preocupou quando ele subiu: — Não teve impacto o aumento do déficit pois havia muita poupança na Ásia e, apesar dos números fiscais ruins, para um país desenvolvido, o endividamento não era tão grande. O que teve impacto foi o déficit em transações correntes. Por causa dele, o dólar perdeu 50% do seu valor nos últimos cinco anos em relação ao euro, ao iene e até ao real. Seja qual for a maneira como o mercado avalia riscos e avanços, o fato é que é melhor saber que a maior economia do planeta está protegendo pelo menos um dos seus calcanhares-de-aquiles. O que a equipe de Bush garantia é que a redução das alíquotas dos impostos aumentaria a arrecadação. Realmente ela aumentou, mas a revista “The Economist” sustenta que não exatamente pelo corte de impostos. O que aumentou foi o pagamento de imposto de renda das empresas, e o corte de impostos foi no de renda da pessoa física, os mais ricos do país. A revista também diz que há algo de falso na melhora apresentada. É que um dos truques do governo americano é superestimar o déficit no começo para divulgar boas “surpresas” no fim do ano. Por exemplo, em fevereiro, a Casa Branca previu um déficit de US$ 423 bilhões. Economistas de fora do governo calculavam US$ 370 bilhões. Tudo bem, eles podem ter exagerado de propósito, mas o número a que se está chegando é bem menor até que a previsão do mercado. Deve ficar em US$ 296 bilhões. Mesmo esse último número parece um déficit gigantesco, mas é 2,3% do PIB deles. Para 2008, a previsão é de que pode ficar em 1,3%. A percepção sobre o Brasil lá fora é a melhor possível, afirma Nuno Câmara. Ele admite, porém, que o banco no qual trabalha enfrentou muitas perguntas de investidores quando a turbulência internacional fez o dólar subir e a bolsa a cair no país: — O Dresdner apostava que o Brasil tinha feito o dever de casa, que o BC estava com a política certa e que o Tesouro tinha aproveitado o bom período e reduzido a dívida; que o país passaria bem pela turbulência. Mantivemos nossa previsão de juros de 14,5% e de dólar a R$ 2,10 no fim do ano. Agora esse cenário se confirma, enquanto outros países, como Turquia, Hungria, Polônia, tiveram vários problemas por terem déficit em transações correntes forte. A Colômbia, há dois anos, fez controle de capitais para evitar que a moeda subisse muito. Agora a moeda caiu demais e eles eliminaram o controle, mas o problema não se resolveu. Eles aprenderam uma lição — comenta Nuno. O Brasil está, de fato, com bons números, mas longe de ter uma situação sólida. O aumento dos gastos contratado nas decisões pré-eleitorais do presidente Lula vai bater nas contas nos próximos anos. Até hoje, os gastos crescentes têm sido cobertos por aumento de carga tributária, o que é insustentável. |
Entrevista:O Estado inteligente
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