Entrevista:O Estado inteligente
Merval Pereira Nós e o Líbano
O GLOBO
Mesmo tendo a guerra de Israel contra o grupo terrorista Hezbollah no sul do Líbano já matado seis brasileiros, número de mortes maior do que o provocado por qualquer outro conflito internacional, até a Segunda Guerra Mundial, da qual o Brasil tomou parte do lado dos aliados, o presidente Lula não havia se pronunciado oficialmente a respeito até ontem quando, de Córdoba, na Argentina, fez os primeiros comentários públicos, mas sem o tom de um pronunciamento formal. Além de se dizer “chocado” com os acontecimentos, Lula reafirmou a posição oficial do Brasil, que coincide com a da Organização das Nações Unidas (ONU): Israel, pela reação desproporcional, é tão culpada quanto a organização terrorista Hezbollah.
“Temos que chamar a atenção tanto do Líbano quanto de Israel de que, no século 21, quando o mundo precisa de paz, progresso e desenvolvimento, foguete não resolve o problema de ninguém, a não ser a empresa que o produz”, disse o presidente Lula.
O deputado federal Fernando Gabeira, de uma família cristã descendente de libaneses, que saiu do Líbano devido a uma guerra religiosa, está preocupado com a atuação do governo brasileiro no episódio, a começar pela falta de ação direta do presidente Lula no caso. Ele, que concorda com a posição oficial do Brasil, acha porém que já é possível fazer uma análise crítica do comportamento do governo brasileiro em relação à guerra no Líbano:
“O presidente da República não se pronunciou, ao passo que o Jacques Chirac, por exemplo, tem ido constantemente à televisão para falar sobre o assunto”. Gabeira diz que, enquanto no Brasil o chanceler Celso Amorim conversa com a embaixadora de Israel e, no máximo, com a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, para pedir um cessar fogo, a questão central, que são os corredores humanitários, não entra na agenda brasileira:
“O Chirac pede ao mundo a formação de um corredor humanitário para que possam escapar todos os que estão lá a salvo. E nós, que temos tantos brasileiros naquela região, deveríamos estar levando até a ONU essa questão”. Gabeira lamenta que o Congresso estando em recesso, a Frente Parlamentar de descendentes de libaneses, que tem mais de cem componentes, não possa se reunir para fazer uma pressão política mais organizada sobre o governo brasileiro.
“Tínhamos que apresentar uma saída para a questão humanitária, e esse corredor é uma garantia para isso”. Ontem, o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para refugiados, Ron Redmond disse que a ajuda humanitária no sul do Líbano depende da criação de “corredores de segurança” que garantam o envio de suprimentos. “Estamos prontos para enviar toneladas de suprimentos, incluindo materiais para abrigos e cobertores, de nossos estoques na Jordânia e na Síria assim que rotas seguras de transporte estejam funcionando”, disse Redmond, em entrevista coletiva no Palácio das Nações, em Genebra.
Gabeira lamenta que nenhum candidato à Presidência da República tenha mencionado o assunto, “que é importante não só na política mundial, como pela grande presença de libaneses no Brasil”. Outra crítica que ele faz ao governo brasileiro é o fato de não estarmos usando o caminho do mar, por onde os americanos já tiraram de uma só vez mais de 1 mil pessoas da região.
“Nós estamos trabalhando com avião e partidas de cem a cem pessoas. Se conseguíssemos um navio, que podia ser um navio brasileiro que esteja na região, ou alugar um grande navio na Grécia ou outro ponto ali perto, poderíamos tirar de uma só vez todos os brasileiros que ainda estão lá”, ressalta Gabeira. Também ontem o embaixador do Brasil na Turquia, Cesario Melantonio, explicou que o Brasil não pensa, até o momento, em utilizar navios para evacuar os brasileiros. Ele coordena um escritório de emergência na Turquia que está recebendo brasileiros refugiados.
“A falta de interesse pelo debate do assunto me angustia”, comenta Gabeira. Ele reconhece o direito ao Estado de Israel, acha que o sul do Líbano tem que ser controlado pelo exército libanês, e que é preciso dar ao exército libanês condições de controlar aquela região. A única coisa que está escapando um pouco do controle, segundo ele, é a destruição da infra-estrutura do país, que depende do turismo, e a falta de proteção dos civis.
Depois de comentar o artigo do escritor judeu pacifista Amoz Oz, que defendeu a posição do governo de Israel, Gabeira diz que tem muitos amigos judeus que desta vez apóiam Israel. “Desta vez, eles dizem que não é uma guerra de invasão, de ocupação, mas para defender suas fronteiras”. Mas Gabeira reafirma que “a desproporção da reação de Israel” também é condenável do seu ponto de vista, que apóia a posição do Brasil, da França e da ONU nesse sentido.
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