O Estado de S. Paulo
18/7/2006
Cartilha traduz ilusão petista de que é possível controlar a realidade por decreto
Os conselhos contidos na cartilha imaginada por alguns petistas - e renegada oficialmente - para tentar evitar que o presidente Luiz Inácio da Silva cometa erros comprometedores em sua campanha à reeleição são uma perfeição em matéria de fantasia e auto-engano.
Levam em conta todo tipo de situação arriscada para Lula, mas ignoram o principal: a realidade. Se resolvesse segui-los, Lula estaria inaugurando a anticampanha, pois passaria os próximos meses praticamente escondido do eleitor, deixando todo o espaço aberto à ação dos adversários.
Senão, vejamos as lições segundo as quais campanha boa é campanha nenhuma e candidato bom é candidato mudo e, de preferência, sumido.
No primeiro item, a cartilha aconselha o candidato a não se expor a situações de risco e, nos tópicos seguintes, relaciona um a um os perigos a serem evitados: dar entrevistas, comparecer a debates, freqüentar atos públicos, aparecer no comitê de campanha, falar sobre assuntos negativos, se aproximar de aliados divergentes entre si e atacar o adversário.
Na visão dos autores do manual, Lula deveria ficar quieto e protegido no Palácio do Planalto enquanto o PT e os ministros se encarregariam da campanha.
Ganhar a eleição por gravidade, mediante a lei do menor esforço, seria possível se a realidade fosse outra: se a vantagem do presidente estivesse consolidada e o adversário não desse sinal de vida no tocante a intenções de voto; se o partido do presidente estivesse de posse do pleno prestígio, podendo, assim, substituir a figura do candidato; se os ministros fossem figuras proeminentes da política e capazes de mobilizar a emoção do eleitorado.
Pelo que anda se passando em algumas cabeças petistas, há muitas fichas ainda precisando "cair".
Com todo o respeito ao trabalho dos ministros de Estado, trata-se de uma equipe de desconhecidos com um ou outro personagem conhecido por razões outras que não seus dotes como cabos eleitorais. Exemplos? Gilberto Gil e Márcio Thomas Bastos.
Quanto ao partido, o PT, o presidente da República é o primeiro a guardar prudente distância regulamentar do desgaste provocado pelos escândalos e posterior proteção aos envolvidos.
Os resultados das últimas pesquisas, apontando redução da distância entre Lula e Geraldo Alckmin, também tornam inúteis, na prática, os conselhos do manual antierros, pois Lula amplia a dianteira justamente quando se expõe.
Já aquelas lições relativas ao silêncio, ressalvados os assuntos altamente positivos, são boas, mas de eficácia garantida apenas em ditaduras, já que nas democracias o eleitorado costuma esperar, e cobrar, que um presidente seja visível e audível à sociedade.
Nome à pessoa
O juiz Jefferson Schneider, que durante dez dias tomou o depoimento de Luiz Antônio Trevisan Vedoin, filho do dono da Planam - braço executivo das operações da máfia dos sanguessugas -, ficou impressionado com a memória do rapaz.
Ele sabe de cor nome e número de gabinete de todos os deputados envolvidos no esquema. O juiz citava o nome de um deputado e Luiz Antônio, de imediato, dava o número do gabinete. De cabeça.
Cabeça esta que armazena informações que poderão levar várias excelências ao cadafalso.
Documentário
Na opinião do vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Raul Jungmann, se tudo correr como o esperado, ao fim dos trabalhos a comissão terá material suficiente para apresentar "o mais bem documentado escândalo de corrupção" de que se tem notícia.
Ao ponto, segundo ele, de deixar no chinelo as grandes CPIs da era mensalão (Correios, Compra de Votos e Bingos) e rivalizar em importância política com a própria campanha eleitoral.
Varejo
Com base nos dados enviados pela Justiça, a CPI já chegou a duas conclusões: uma, que a Planam só existia em função da corrupção, foi criada com a tarefa específica de fraudar o Orçamento da União em conluio com parlamentares, funcionários dos ministérios e prefeitos.
Outra, que o esquema é basicamente dirigido ao baixo clero. A empresa preferia emendas de valor limitado, trabalhava no varejo, na base da produção em escala.
Defesa da honra
O presidente do PMDB, deputado Michel Temer, não aceita insinuações a respeito das razões de seu apoio, e do grupo oposicionista do partido, a Geraldo Alckmin.
Segundo Temer, essa banda do PMDB não está com Alckmin em função da subida nas pesquisas, mas em virtude do fracasso das articulações para a adesão a Lula, que preferiu manter a exclusividade da convivência com o grupo liderado por José Sarney e Renan Calheiros.
O presidente do partido diz que ficará com o tucano até o fim. Independentemente dos índices das pesquisas.
Entrevista:O Estado inteligente
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