À luz dos resultados das mais recentes pesquisas de opinião pública (Sensus, Ibope e Datafolha), mudou a maneira de os brasileiros enxergarem seu presidente. Antes da crise política, eles valorizavam mais os pontos fortes da imagem de Lula – "é gente como a gente", "entende os problemas dos pobres" e "tem um passado limpo".
Depois de seis meses de crise, passaram a julgar Lula por seus pontos fracos – "pouco preparo para o cargo", "sem experiência administrativa" e "falta de firmeza para decidir".
Lula, o político honesto, empalideceu. Lula, o mau gestor, ganhou nitidez.
O último fato político relevante produzido pelo escândalo do mensalão foi a confissão do publicitário Duda Mendonça de que o PT lhe pagou com dinheiro de caixa 2 por intermédio de Marcos Valério e em um paraíso fiscal. Ali começou a erosão da imagem de Lula. O processo foi lento, como costuma ser.
Teve início entre as pessoas de escolaridade e renda mais altas que habitam as grandes cidades. Alcançou aquelas que vivem na periferia das regiões metropolitanas. E só há pouco atingiu as que moram no interior do país.
É por isso que o prefeito José Serra, hoje, vence Lula em todas as faixas de renda. É por isso também que a região Sul, a de maior nível de instrução e a mais politizada, é a que mais rejeita Lula. E é por isso ainda que Lula só derrota Serra no Nordeste – e mesmo assim por uma diferença de três pontos percentuais.
Não há indicações de que a sangria esteja perto de ser estancada. E não faz sentido imaginar que Lula irá para o matadouro sabendo de véspera que esse é o seu destino.
BLOG Ricardo Noblat