Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, dezembro 20, 2005

Lucia Hippolito na CBN:Confusão e incerteza

BLOG Ricardo Noblat


 

" Qualquer eleição é sempre um momento cercado de alto grau de incerteza. O político tem que decidir se disputa o mesmo cargo ou se se arrisca a vôos mais altos.


Deputados que decidem correr o risco de uma eleição majoritária como senador, governador ou presidente da República, por exemplo, atiram-se no desconhecido.


Mas poucas vezes se viu uma eleição cercada de tanta incerteza como esta que o país vai enfrentar no ano que vem. Há menos de dez meses da eleição, ninguém sabe nada sobre coisa nenhuma.


Até hoje, ainda não se conhecem as regras da eleição, porque esta novela da verticalização não acaba nunca. Existe uma emenda constitucional já aprovada no Senado, derrubando a verticalização, mas a Câmara não consegue reunir 308 deputados para aprovar a medida.


Se a verticalização não for derrubada, as alianças formadas para eleger o presidente da República têm que se reproduzir obrigatoriamente nos estados.


Esta violência, como os eleitores estão cansados de saber, foi imposta pelo então presidente do TSE, ministro Nelson Jobim, nas eleições de 2002. Sozinho, ele interpretou a Constituição de 88 e decidiu monocraticamente que a verticalização era obrigatória. E pronto.


PT e PSDB são a favor da verticalização, porque reduz o número de candidatos à presidência da República. Mas o presidente Lula quer derrubar a verticalização para atrair o PMDB para uma aliança.


Acontece que, mesmo os partidos nanicos que apóiam o presidente, como PCdoB e PSB, já avisaram Lula que está difícil apoiá-lo oficialmente, porque isto prejudicaria a situação dos partidos nos estados. Ou seja, apóiam Lula no paralelo mas não no oficial. Uma espécie de "aliança caixa 2".


O PMDB e o PFL, que sempre foram contra a verticalização, porque são partidos federativos, respeitadores da lógica da política estadual, não poderão ter candidato à presidência da República se a verticalização não cair.


Por uma dessas ironias da História, o maior prejudicado dentro do PMDB é justamente o autor da violência contra os partidos, o hoje presidente do STF Nelson Jobim, que vê desmoronar seu sonho de ser candidato do PMDB a presidente da República.


Em suma, não é só o eleitor que está confuso depois deste ano de aguda crise política e ética. Candidatos também estão de cabelo em pé com a confusão que eles próprios arrumaram.
Bem feito.

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