Entrevista:O Estado inteligente

segunda-feira, dezembro 19, 2005

FERNANDO RODRIGUES Vácuo de nomes

FSP
 BRASÍLIA - Há um perigoso vácuo de nomes nas duas principais disputas eleitorais de 2006.
Para presidente da República, só contam para valer Lula, Serra e Alckmin -sendo generoso com Alckmin. Na eleição para governador de São Paulo, como mostrou o Datafolha, o nome mais forte é o de Orestes Quércia (PMDB). Tucanos e petistas são coadjuvantes por enquanto.
O único partido organizado relativamente como deve ser uma agremiação política, o PT, teve sua cúpula quase dizimada pelo "mensalão". Os outros não se renovaram.
A não-renovação chega ao ponto de as pesquisas regurgitarem nomes como o de Quércia. O PFL, um agrupamento de elite com linhagem derivada de Pedro Álvares Cabral, está pressionando para que o seu candidato em São Paulo seja Guilherme Afif Domingos. Outro dia, os pefelistas fizeram um congresso dizendo que iriam reconstruir a sigla. Se for assim, não irão longe.
No PSDB, os nomes para o Palácio dos Bandeirantes são José Aníbal (6% de intenção de voto) e Paulo Renato (3% a 4%). Se a eleição fosse hoje, o partido só não faria feio se o candidato fosse FHC. Suprema humilhação para o tucano ex-presidente. Logo ele, retornar para a província depois de criticar duramente Itamar Franco por ter feito o mesmo caminho em 1998.
É clichê dizer que em política não se deve fazer previsão com muita antecedência. A eleição será só em 1º de outubro de 2006. Ainda assim, desde o retorno do país à democracia, nunca foi tão grande o deserto de nomes a menos de um ano da eleição.
É um momento, em certa medida, histórico. Será a última grande chance de alguns caciques conseguirem um lugar ao sol (Quércia, Afif, FHC ou quem seja). Depois, o vazio.
Dada a abulia com que o eleitorado recebeu a absolvição de mais um deputado mensaleiro na semana passada, o vácuo político está à disposição para aventureiros prosperarem. É, de longe, o pior cenário para o Brasil.

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