Entrevista:O Estado inteligente

quarta-feira, dezembro 21, 2005

FERNANDO RODRIGUES Tática manjada

FSP
 BRASÍLIA - Ao estimular o debate sobre sua eventual desistência da disputa presidencial de 2006, Lula apenas cumpre o ritual necessário e obrigatório da política. Jamais poderá dizer-se candidato agora sob pena de levar pedradas antes da hora.
Em 1997, FHC comandou a operação heterodoxa para alterar as regras da disputa com o jogo em andamento. Mudou a Constituição para ter chance de tentar outro mandato em 1998. Ainda assim, o tucano deixou para assumir a candidatura apenas no ano eleitoral.
No final de 1997, era comum o tucanato espalhar que FHC poderia não ser candidato em 1998. Saiu no jornal. Não que tenha sido só plantação ou algo além das possibilidades reais. Tratou-se apenas de uma tática manjada: não sofrer por antecipação nem dar espaço inútil para seus adversários. É essa exatamente a receita seguida hoje por Lula.
É possível cravar como nula a chance de Lula desistir? Claro que não. Mas as condições para a saída do petista do cenário nacional não estão nem próximas da realidade.
Lula não seria candidato a mais quatro anos no Planalto se o PIB continuasse a encolher como ocorreu no terceiro trimestre. Ou se as CPIs em curso no Congresso encontrassem alguma evidência material que o destruísse moralmente.
No caso do PIB, por mais que a oposição esteja torcendo, a economia já voltou a crescer neste final de ano. Sobre as CPIs encontrarem algo, é impossível prever -mas está cada vez mais difícil depois da aliança tácita tucano-petista a favor de uma grande operação abafa para resguardar as cúpulas partidárias.
Tudo somado, sobra a dúvida sobre quem será o vice de Lula. A última notícia em Brasília é que José Alencar volta a ter grandes chances de ficar onde está. Ou seja, o PT vem aí com mais do mesmo em 2006.

@ - frodriguesbsb@uol.com.br

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