Quando o Rio ganhou da cidade texana de San Antonio a disputa para sediar os Jogos Pan-Americanos de 2007, a vitória foi saudada com justificável euforia. Adversários políticos, o prefeito Cesar Maia e a governadora Rosinha Garotinho comemoraram juntos. O governo federal, petista, também saudou o feito. Com razão. São conhecidos os dividendos em termos de melhoria de imagem e de fluxo de recursos por meio do turismo, além de uma infinidade de outros negócios, que acompanham esses grandes eventos esportivos. Ganham a cidade-sede da competição, o estado e o próprio país.
Passada a comemoração e a pouco mais de um ano para os jogos o cenário é outro, como registrou em artigo para O GLOBO o prefeito Cesar Maia. Pelos obstáculos que o projeto do Pan tem enfrentado, é como se aquela correta percepção da dimensão real do evento tivesse sido esquecida, apagada da memória pelos embates político-partidários, ou por qualquer outro motivo pouco compreensível.
Cabe repetir: o Pan não pode ser encarado como um projeto de Cesar Maia do PFL, ou do casal Garotinho do PMDB, como uma arma que contrariará interesses eleitorais petistas no ano que vem. Nesse empreendimento ou ganham todos, incluindo a população, ou perdem todos. Inclusive outros estados e cidades que alimentem o sonho de um dia disputar a sede de Jogos Olímpicos e competições internacionais. O fracasso do Pan-2007 será uma derrota do Brasil como país capaz de entrar nesse circuito bilionário de competições esportivas.
O Pan enfrenta problema de ordem empresarial — a impossibilidade de a iniciativa privada assumir o complexo esportivo do Autódromo, compensada por investimentos da prefeitura. Mas há muitas etapas que poderiam ser cumpridas de forma mais rápida se o governo federal transformasse as comemorações da época da vitória do Rio sobre San Antonio em ações efetivas.
Não basta, como escreveu o prefeito, prometer segurança. Por óbvio, ela cabe às forças federais, como em qualquer lugar do mundo em eventos desse porte. Há empréstimos em análise no BNDES e patrocínios que ainda podem ser concedidos, os quais dependem de Brasília. Os governos têm de trabalhar em favor de um projeto que é de todos.