RISCOS BOLIVIANOS
Qualquer que seja o resultado das eleições de hoje na Bolívia, parece certo que se aproximam dias turbulentos no país vizinho. O candidato que lidera a preferência do eleitorado é, segundo várias pesquisas, o líder cocaleiro Evo Morales, do caricatural Movimento ao Socialismo (MAS), partido que defende teses da esquerda à moda antiga.
Se implantadas, as políticas advogadas pelo MAS fatalmente levarão a Bolívia à ruína financeira. Um resumo das opiniões econômicas de Morales está em sua recente declaração de que, se eleito, irá reaver as refinarias de propriedade da Petrobras.
Uma reestatização do setor petrolífero não seria absurda se o Estado boliviano tivesse razoável capacidade de investimento. Não é absolutamente o caso. A tão apregoada nacionalização dos hidrocarbonetos, vendida por Morales como "a segunda independência do país", dificilmente significará mais do que manter as jazidas de gás sob o solo por algumas décadas. Idéias como essa, porém, encontram forte aceitação num país que sente já ter sido usurpado por estrangeiros em todas as suas riquezas naturais.
E não é só. Na Bolívia, problemas costumam ser ainda piores do que parecem. Devido a um mecanismo da Constituição, quando nenhum candidato presidencial consegue vencer no primeiro turno, cabe ao novo Congresso decidir, dentre os dois mais votados, o vencedor. Com isso, vislumbra-se a possibilidade de que os parlamentares elejam não Morales, mas o candidato que deverá ficar em segundo lugar, muito provavelmente o ex-presidente conservador Jorge "Tuto" Quiroga.
A decisão talvez poupasse a Bolívia de um desastrado líder populista, mas quase certamente levaria manifestantes às ruas para exigir que o veredicto das urnas fosse cumprido.
A Bolívia também está elegendo diretamente, pela primeira vez em sua história, "prefectos" para governar cada um dos nove Departamentos (Estados) do país. Até agora, esses administradores eram indicados pelo poder central. A inclusão das diretas foi uma exigência da população de Santa Cruz de la Sierra, a região mais rica, que não esconde o desejo de conquistar cada vez mais autonomia. Também é forte em Santa Cruz o componente anti-Morales.
A combinação de uma vitória de Morales com o fortalecimento do poder local no maior centro econômico da Bolívia tenderia a agravar ainda mais a polarização que divide o país, trazendo para o horizonte um cenário, até há algum tempo impensável, de fragmentação territorial.
Enquanto isso, os EUA assistem aos acontecimentos afetando indiferença. Mas não é necessário muita imaginação para perceber que a eleição de Morales desagradaria Washington. Trata-se, afinal, de um plantador de coca, comunista, inimigo do capital externo e, não bastasse, íntimo do presidente venezuelano, Hugo Chávez.
Não são poucas as chances, portanto, de que o pleito de hoje venha a representar para a Bolívia o início de uma nova etapa de complicações.
Entrevista:O Estado inteligente
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