Entrevista:O Estado inteligente

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Editorial da Folha de S Paulo

O BC E O CÂMBIO
Após nove dias de valorização, que chegou perto dos 10%, a cotação do dólar voltou a cair ontem. A mudança de rumo foi causada por redução no ritmo das intervenções que vêm sendo realizadas pelo Banco Central. Contrariando seu discurso mercadista protocolar, de que o câmbio é flutuante e deve seguir seu livre curso, o BC passou a demonstrar aos mercados estar descontente com a excessiva valorização do real.
Por intermédio de compras de dólar no mercado à vista e oferta de contratos de câmbio na Bolsa de Mercadorias e Futuros, a autoridade monetária conseguiu, de fato, emitir um sinal de alerta e valorizar a cotação da moeda norte-americana. No entanto, a nova queda do dólar registrada ontem parece indicar que essas ações, como acreditavam, aliás, diversos analistas, têm alcance relativamente limitado diante do alto volume das apostas a favor da valorização do real nos mercados financeiros internacionais.
Em parte, a atual taxa de câmbio, que cria problemas para o futuro das exportações brasileiras, é fruto dos bons resultados da própria balança comercial, mas também é conseqüência da taxa de juros em vigor no país. Os juros tão atraentes pagos por papéis brasileiros têm estimulado fortes movimentos especulativos de capitais externos.
Os investidores lucram com a diferença entre a taxa de juros dos países desenvolvidos e as do Brasil e aumentam esses ganhos com a desvalorização da cotação do dólar diante do real -estimulada pela venda de contratos de câmbio no exterior.
São movimentações difíceis de desestimular, especialmente quando o BC apenas confirma as expectativas dos investidores financeiros de promover reduções a conta-gotas da taxa básica de juros.

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