Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, setembro 15, 2006

Sônia Racy - Bolivianos dizem que Bolívia não é confiável




O Estado de S. Paulo
15/9/2006

No mesmo dia em que a Bolívia publicou resolução do presidente Evo Morales tomando o controle das refinarias de empresas estrangeiras de "hidrocarburos", o jornal boliviano La Razón, de forma premonitória, saiu com um editorial intitulado A desconfiança dos vizinhos. Nele, o jornal reforça a percepção de que o governo boliviano não é confiável. "Afloram desconfianças sobre a capacidade de a Bolívia garantir seus compromissos, tanto de seus ministros como em assuntos comerciais contratuais, bem como de sustentar a estabilidade política e social do país", ressalta. A Bolívia estaria produzindo uma confrontação sem saída, para a qual o jornal não apontou uma alternativa.

Sobre o Brasil, o editorial destaca que a Universidade do Rio de Janeiro teria desenhado um plano de contingência, supondo extração de gás dos depósitos submarinos de petróleo atualmente em exploração no Brasil, em tempo menor que o programado. Referindo-se, provavelmente, ao gás encontrado na Bacia de Santos. Conta, ainda, que determinados setores da política chilena acreditam hoje que não vale a pena chegar a um acordo com a Bolívia porque o país "no era de se fiar". A dedução dos chilenos foi gerada por uma confrontação setorial, em que o governo boliviano encapou as válvulas do serviço que exporta gás para a Argentina. Essa situação teria obrigado a Argentina a adiantar as análises de seus planos de emergência sobre todas as possibilidades de abastecimento de energia, incluindo a nuclear, para quando sua produção interna e o "inseguro abastecimento boliviano" falharem.

A desconfiança alcançou até o Paraguai. Segundo o editorial, uma corrente de opinião paraguaia adverte para os riscos que o país estaria correndo ante o propósito boliviano de construir uma guarnição militar na região do Chaco, com apoio do governo venezuelano. Somados à desconfiança externa estão os problemas internos, com os sistemáticos desencontros entre a Assembléia Constituinte e a Lei do Estado de Direito, que provocou uma greve cívica semana passada.

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