Entrevista:O Estado inteligente

quinta-feira, setembro 14, 2006

Eliane Cantanhede - Há vitórias e vitórias



Folha de S. Paulo
14/9/2006

A dianteira de Lula tem sido constante, com a confirmação, semana a semana, das suas fortes chances de vencer em primeiro turno. Mas, depois da eleição, vem o pior: governar. Apesar de não balançar o favoritismo de Lula na campanha, o último Datafolha acende um sinal amarelo: o crescimento do tucano Alckmin nas faixas de maior renda e de maior escolaridade.
Na faixa com renda familiar acima de dez mínimos, Alckmin saltou importantes 14 pontos, de 38% para 52%, com 27 pontos sobre Lula (que caiu de 35% para 25%).
O que isso significa? Que Lula poderá vencer com a grande massa da população -com mais de 70% no Nordeste, por exemplo-, mas sob considerável resistência da classe média para cima. Na prática, essa discrepância pode empurrá-lo a, além de manter os programas de renda para os pobres, ter de passar todo o tempo "comprando" a boa vontade dos "ricos". E, como se sabe, o cobertor é curto.
O eleitorado não é apenas uma profusão de números. É também um indicador do país que o governante vai enfrentar. O perfil do eleitorado define também o perfil no futuro governo. Se há uma parcela forte e com boa capacidade de pressão torcendo o nariz, o governo não poderá ficar indiferente a ela. Ao contrário, terá de ceder.
Aliás, Lula já está nitidamente cedendo ao lançar pacote para estimular a construção civil, antecipar pagamento de 13º salário, dar reajustes a determinadas categorias (as mais poderosas) e jogar uma bolada em setores estratégicos, como o moveleiro, que atrai votos no Sul.
Mas isso ainda é campanha, com Lula buscando mais votos. Ele tem de começar a pensar no que projetam esses votos para o eventual segundo mandato. Os mais escolarizados e de maior renda são justamente os que fazem maior barulho.

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