| O Estado de S. Paulo |
| 20/7/2006 |
O depoimento prestado ontem no Senado americano pelo presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, não produziu apenas alívio geral no mercado financeiro mundial. Também mostrou que Bernanke vai conquistando confiança. O primeiro efeito decorreu apenas do que foi dito: que a economia americana está em processo de desaceleração moderada; que não há graves surtos inflacionários a combater com juros mais altos; e que a tão temida "bolha imobiliária" está em processo de desinchamento. O tom foi o de desarmamento geral. Entendido ficou que os riscos de trombada nos mercados vinham sendo exagerados. A reação foi imediata. Os capitais mais medrosos saíram da toca e saltaram para aplicações de maior risco. As bolsas festejaram, as cotações do dólar (o refúgio da hora) recuaram no mercado internacional de câmbio e os prêmios de riscos pagos para que os investidores fiquem com títulos de segunda ou terceira linha mergulharam. Enfim, Bernanke passou o recado de que o bicho tão temido desde o início de maio, o mesmo que provocou tanta turbulência, sustos e nervosas transferências de patrimônio ao redor do mundo - esse bicho afinal é mais manso do que pintava ser. Mas a mudança mais importante não foi a bela foto da economia mundial mostrada por Bernanke. Foi a aceitação ampla e irrestrita do que Bernanke disse desta vez. Ele assumiu o comando do Fed no final de janeiro reconhecido como profundo conhecedor da teoria econômica, especialmente das questões monetárias. Mas até agora não havia obtido a confiança geral enquanto xerife do dólar. Alguns entenderam que Bernanke não tem experiência suficiente em administração monetária; outros, que tende a ser leniente com a inflação; outros, ainda, que acabará sendo duro demais no ataque à inflação por simples necessidade de afirmação. Enfim, a cisma era de que falta a Bernanke noção correta de doses e limites. E não se pode desprezar o enorme contingente de "viúvas" do presidente anterior do Fed, para as quais só há um Greenspan e, comparado com Greenspan, qualquer outro não passa de zé-ninguém. Por essas e outras, Bernanke mourejou seis meses de calouro nas mãos dos veteranos. Foi criticado, ridicularizado e levou dedo na cara. Mas ontem o depoimento prestado na Comissão de Finanças, Construção Civil e Assuntos Urbanos do Senado produziu efeitos amplos e imediatos. Tudo se passou como se Bernanke, até agora relativamente desacreditado, começasse a desfrutar de autoridade que antes não lhe fora reconhecida. Se essa hipótese (ainda não passa disso) estiver correta, vai ser mais fácil agora para ele administrar expectativas, como se espera de um presidente de banco central. E o mercado financeiro mundial terá condições de operar com mais previsibilidade e, por isso mesmo, com menos volatilidade. Se o presidente do Fed passou a inspirar confiança, deixarão que ele combata a inflação quando ela aparecer, na dose mais adequada. E retomarão os negócios e as aplicações de patrimônio usando mais a cabeça do que as vísceras. Para a economia brasileira, esta pode ser boa notícia porque, uma vez dissipados os grandes riscos, mais recursos tenderão a aportar por aqui. |
Entrevista:O Estado inteligente
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