Entrevista:O Estado inteligente

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Lucia Hippolito na CBN:Não há motivos para duvidar do que Dirceu diz

  BLOG: Ricardo Noblat

 

"Todos aqueles que, por dever de ofício, acompanham a trajetória política do ex-deputado José Dirceu, desde que foi eleito deputado federal em 1990, aprenderam que todas as suas palavras e atos são cuidadosamente pensados e medidos.


Não há espaço para o improviso. Nem para atos falhos. José Dirceu age como decidiu agir. Diz o que decidiu dizer.


Não há uma única declaração sua que tenha saído, assim, "sem querer". Mesmo os aparentes atos falhos são propositais. Como se costuma dizer, José Dirceu não dá ponto sem nó.


Por exemplo, desde o primeiro dia do governo Lula, Dirceu vem afirmando que tudo o que fez era do conhecimento do presidente, que não usurpou nenhuma função, não ultrapassou nenhum limite, não executou nenhuma tarefa que não lhe tenha sido atribuída pelo presidente Lula.


Da mesma maneira, o ex-deputado vem declarando com todas as letras que não era o chefe do mensalão e que não é responsável pelas lambanças praticadas pelo PT, porque não era mais dirigente do PT quando tudo aconteceu.


Se devemos acreditar nessas duas afirmações, está na hora de começar a perguntar ao ex-deputado o que, afinal, o presidente Lula sabia, o quanto sabia e quando ficou sabendo.


Se devemos acreditar nas palavras do ex-deputado, está na hora de começar a perguntar quem, afinal, era o chefe do mensalão, quem mandou Delúbio se associar a Marcos Valério, quem avalizou as estripulias dessa dupla dinâmica, quem abençoou os deputados petistas que se beneficiaram do caixa 2.


Se devemos acreditar nas palavras de José Dirceu, devemos também acreditar na entrevista que ele concedeu no Rio de Janeiro, no último fim de semana.


Quando afirma que José Serra não seria o candidato aprovado pelo sistema, isto é, mercado financeiro e empresariado, porque é muito independente e esta gente prefere um pau mandado, José Dirceu está dizendo que Lula é o pau mandado do sistema, inteiramente domesticado antes mesmo da eleição? E só por isso pôde ser candidato, e só por isso recebeu ajuda financeira do grande capital para poder se eleger?


Parece que é isso mesmo que está dizendo o ex-deputado.
Ao afirmar que, no Brasil, o presidente da República "tem que ser um mero delegado do poder constituído no país" e que "não pode mandar, caso contrário enfrentará crises graves", Dirceu está dizendo que a eleição de Lula foi uma farsa.


E que ele próprio, Dirceu, compactuou com a farsa, ao participar da elaboração da Carta aos Brasileiros e liderar a mudança de rumo que o governo Lula tomou depois de eleito. 


É grave. Mas não há por que duvidar das palavras do ex-deputado José Dirceu. Aguardamos ansiosos a manifestação do presidente da República."

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