segunda-feira, dezembro 02, 2013

Para inglês ver e aplaudir - OCTÁVIO COSTA

BRASIL ECONÔMICO - 02/12

A revista britânica "The Economist" acompanha com lupa aguçada tudo o que acontece na economia brasileira. Nas semanas de bom humor, tece elogios rasgados e aponta como uma das principais opções de investimento no mundo. Mas quando está de má vontade, seus editoriais baixam o sarrafo na equipe econômica de Dilma Rousseff e na própria presidente. Há menos de um mês, em reportagem de capa, acusou o Planalto de ter perdido a janela de oportunidade para realizar reformas essenciais quando o Brasil navegava ao largo da crise internacional. Chegou a pedir a cabeça de Guido Mantega.

Na edição desta semana, "The Economist" anima-se com os resultados dos recentes leilões de concessões e afirma que o setor de infraestrutura começa a decolar. A revista ressalta, porém, que quem vive de altos e baixos é o Brasil, e não os redatores de Sua Majestade.Os jornalistas de Fleet Street não deixam de ter razão. Na primeira rodada de licitação de rodovias, ficou encalhada a BR que liga o Espírito Santo ao parque siderúrgico de Minas Gerais. Os possíveis interessados torceram o nariz para as condições do edital. Reagiram principalmente à parceria com o DNIT, a quem caberia as obras de duplicação. Também era ponto negativo, nas discussões preliminares, a taxa de retorno, considerada muito baixa. Em outra frente, no leilão da área de pré-sal de Libra, houve um muxoxo quando as grande irmãs do petróleo norte-americanas não se candidataram à disputa. Comentou-se que não estavam dispostas a aceitar o regime de partilha da produção com a Petrobras. E muita gente temeu pelo pior.

Mas veio o leilão de Libra e tudo deu certo, graças à participação dos franceses da Total e das petroleiras chinesas. A primeira outorga do pré-sal custou aos interessados R$ 15 bilhões. Em seguida, foi realizado o certame pela concessão do aeroporto Galeão-Tom Jo-bim, com vitória da Odebrecht e da operadora do aeroporto de Cingapura, por surpreendentes R$ 19 bilhões e ágio de 294%. Nessa fase de maré montante, pouco dias depois a Odebrecht arrematou a gestão dos 855 kms da BR-163 no Mato Grosso, comprometendo-se com valor de pedágio 50% inferior ao preço-base. Com sua oferta, a empreiteira baiana derrotou seis rivais de porte. No próximo dia 27 de dezembro, será realizado o leilão dos quase 900 kms da BR-040, que liga o Distrito Federal a Juiz de Fora, passando pelo arco metropolitano de Belo Horizonte. Trata-se do filé mignon das concessões rodoviárias. E grandes grupos como Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e Invepar já dão a entender que farão de tudo para impedir nova vitória da Odebrecht.

O programa de concessões, de fato, deslanchou. Isso aconteceu, na opinião da revista inglesa, porque Dilma Rousseff admitiu que "o Estado sozinho não pode consertar a longamente negligenciada infraestrutura do Brasil". A presidente pensa diferente e garante que seu governo oferece projetos jamais vistos no passado. Já o presidente da petroleira BG para a América do Sul, Nelson Silva, em entrevista ao Brasil Econômico, tem explicação mais simples: nosso país atrai investimentos porque oferece respeita os contratos. Enquanto o Brasil amplia o leque de ofertas para o setor privado, a Venezuela tabela lucros das empresas e a Bolívia torna obrigatório o pagamento do 14º salário. Os grandes investidores, portanto, não têm que pensar duas vezes.


SOBE E DESCE

Sobe

Ações da Petrobras dispararam com alta de 6% na sexta-feira. A valorização foi atribuída à reunião do conselho, sobre o aumento dos combustíveis, e à entrada de investidores estrangeiros. Graça Foster é presidente da Petrobras.

Desce

O líder do Solidariedade na Câmara Federal, Fernando Francischini, enviou ao comando da legenda pedido de afastamento do deputado estadual Gustavo Perrella. Helicóptero do político transportava 445 kg de cocaína.

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