Entrevista:O Estado inteligente
Retomada presidencial - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 01/12
Ainda distante de seu pico, avaliação da presidente continua a subir; vantagem de Dilma na corrida eleitoral aumenta, mostra Datafolha
O prestígio da presidente Dilma Rousseff recupera-se a um passo lento, mas contínuo, desde a queda vertiginosa de sua popularidade nas manifestações de junho. A pesquisa Datafolha publicada hoje revela também que aumentou a vantagem da petista sobre todos os seus adversários.
Embora muito distante do nível de 2012 ao começo deste ano, quando a avaliação do governo flutuava em torno de 62% de notas ótimo/bom, a aprovação da presidente saiu dos 30% de junho para os 41% de agora. Recorde-se que, no primeiro ano, seu governo teve em média 48% de ótimo/bom.
A recuperação do prestígio presidencial foi acelerada em particular devido à opinião dos entrevistados de menor escolaridade, menor renda e àqueles que vivem no Nordeste, no Norte e no Centro-Oeste.
Ainda que as variações de intenção de voto em cada candidato tenham sido pequenas desde a pesquisa anterior, de 11 de outubro, Dilma avançou em todos os cenários da disputa, ao passo que seus adversários perderam preferência.
No quadro mais provável, a presidente superava o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por 21 pontos percentuais; agora, são 28. A distância em relação ao governador Eduardo Campos (PSB-PE) passou de 27 pontos para 36.
O arrefecimento do clima político parece ter contribuído para a restauração da imagem do governo e da presidente, mas não só.
Um aspecto do sentimento dos brasileiros em relação à economia recuperou-se no mesmo ritmo das notas positivas sobre a gestão Dilma: a parcela da população que acredita no aumento de seu salário e na melhoria de sua situação cresce desde o final de junho.
Soa contraditório, pois, que o Datafolha mostre o crescimento do número de entrevistados com a expectativa de que a inflação será maior, o que aliás se verifica desde dezembro de 2012. No mesmo diapasão, está em alta a tendência de acreditar que o desemprego também será maior.
Os dados da economia e o debate acerca do assunto podem explicar a aparente contradição. A taxa de desemprego é historicamente baixa e a renda individual continua a crescer; os protestos de junho criaram insegurança, que se dissipou com a percepção de que o país não entraria em crise aguda.
Parece claro, contudo, que a população se ressente da persistência da inflação, em especial no caso dos alimentos. Decerto os brasileiros inteiram-se do clima de desconfiança no futuro, ou ao menos o ambiente turvado preocupa. Mas seu otimismo individual resiste.
A um mês do ano eleitoral, nota-se que os dias revoltosos de junho e os desacertos da gestão econômica não abalaram a base do prestígio presidencial, embora dois terços dos entrevistados manifestem desejo por mudanças.
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