Entrevista:O Estado inteligente
Nova decolagem - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 08/02/12
Brasília é um aeroporto de 14 milhões de passageiros e é de conexão, por estar no meio do caminho entre as várias regiões do país. Agora, o aeroporto terá uma nova fonte de renda: a tarifa de conexão. Guarulhos, que tem hoje 30 milhões de passageiros, quando concluir o terminal 3 vai ter capacidade para 50 milhões. O presidente da Infraero, Gustavo do Vale, acha que é o começo de uma nova era.
A empresa está diante de uma série de desafios:
- Um estudo que fizemos mostra que em 30 anos nós teremos 30 milhões de passageiros não atendidos se não tivermos novos aeroportos. Isso significa faltar um aeroporto do tamanho de Guarulhos, no Brasil. Portanto, São Paulo terá que ter outro aeroporto, em alguma outra das grandes cidades do interior.
Neste momento pós-privatização dos três primeiros aeroportos, Gustavo do Vale diz que tudo está em análise. Funcionários da Infraero estão se preparando, por exemplo, para o desafio de serem integrantes de conselhos de administração:
- Estamos treinando alguns dos nossos executivos porque a Infraero até hoje era uma empresa monopolista sem associação com nenhum outro grupo. Agora teremos que nos sentar em conselhos de administração com outras empresas.
Quando era tudo da mesma empresa, a tarifa aeroportuária era cobrada apenas na origem, mas agora, com a diferenciação, haverá uma tarifa de conexão.
- Disso, quem se beneficia é, por exemplo, Brasília, que é o maior hub que liga Norte-Sul, Sul-Norte-Centro-Oeste. Terá uma nova fonte de receita, além de ter um potencial comercial enorme. Temos grandes áreas próximas ao aeroporto - afirma Gustavo do Vale.
Essa enorme área poderá ser explorada comercialmente porque passará a ser do consórcio que levou o Aeroporto de Brasília pagando 673% de ágio. Gustavo do Vale não quis entrar no mérito de discutir a qualidade do consórcio nem as dúvidas que se tem sobre a capacidade de o grupo tocar o projeto. Esta semana entra em análise a qualidade das garantias oferecidas pelos consórcios, que é a terceira fase do leilão, o que será feito pela Secretaria de Aviação Civil. Enquanto isso, a Infraero continua tocando as obras, mesmo em aeroportos vendidos:
- Os investimentos não podem parar, alguns são nossa responsabilidade pelos termos do edital. A terraplanagem do pátio do terminal 3 de Guarulhos tem que ser concluído até julho, concluindo um investimento de R$ 450 milhões. O comprador tem que fazer o resto. Em Brasília, há uma reforma que estamos terminando, mas os concessionários têm que concluir a ampliação do terminal. Esses dois são mais urgentes por causa da Copa.
A contradição de todo o processo é que a Infraero também pagará parte da conta que foi contraída pelos consórcios que elevaram o preço, apesar de terem sido vendidos ativos da empresa.
- Quem vai pagar será a Sociedade de Propósito Específico, que será formada pelo consórcio que comprou e a Infraero, e o custo dessa outorga será pago por esta SPE com a remuneração da operação do aeroporto - disse Gustavo do Vale.
Isso é uma evidente contradição. Mas ele argumenta que tudo irá para o fundo destinado a ter recursos para investir em outros aeroportos pelo Brasil. O risco, no entanto, é entrar no caixa único e virar superávit primário, como ocorreu com o Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), que deveria ser usado para incentivar as telecomunicações no Brasil, mesmo nas áreas em que não há interesse comercial, e para aumentar a informatização das escolas.
Dos grandes aeroportos, faltam ainda o Galeão, no Rio; Salgado Filho, em Porto Alegre; Confins, em Belo Horizonte; Guararapes, no Recife, entre outros, mas nada ainda foi divulgado sobre qual deles irá a leilão. Tudo será decidido dentro do Plano de Outorgas, que será divulgado pela Secretaria de Aviação Civil, em março. Gustavo do Vale disse que não se conversou na Infraero sobre a venda de outros aeroportos, por enquanto, e que isso será decidido por instâncias superiores.
A Infraero terá que entrar com R$ 600 milhões do capital inicial das empresas que vão gerir os três aeroportos. Mas, segundo presidente da empresa, esse valor já está provisionado.
Entre os especialistas, continua havendo dúvidas sobre a capacidade de alguns consórcios, principalmente o de Brasília, mas ao mesmo tempo há a expectativa de que melhoras nos aeroportos aconteçam em pouco tempo. Sem as amarras do setor público, será possível tomar decisões mais rapidamente. Não porque o setor público seja incompetente, é que ele toma decisões mais devagar através de licitações, contratações, demissões e rompimentos de contratos. Tudo é mais lento com as amarras do setor público.
O presidente da Infraero não acha que o fato de o consórcio que comprou Guarulhos ser formado por fundos de pensão de estatais faz com que na prática o aeroporto continue estatal. Acha que o importante é que esta semana o setor aeroportuário entrou em novo momento, saindo do modelo em que eram todos geridos pela mesma estatal.
Há várias esquisitices no Brasil, como a que acontece com pequenos aeroportos que não são públicos, ou seja, não são usados pelas companhias aéreas, como os pequenos aeródromos instalados em resorts, por exemplo. Pela lei, eles não podem ter receitas, e obviamente têm. A partir da privatização dos primeiros aeroportos, tudo começou a mudar.
Arquivo do blog
-
▼
2012
(2586)
-
▼
fevereiro
(222)
- Pobre menina rica - Miriam Leitão
- Novo fôlego - Merval Pereira
- Agora é que são elas Dora Kramer
- A força das classes médias Celso Ming
- É, leitor, cabe rir :Marco Antonio Villa
- Brasil é o espelho do mundo Marcelo Côrtes Neri
- A produtividade da Justiça José Pastore
- O que o Carnaval diz do Brasil? - ROBERTO DaMATTA
- Erratas na vida - LYA LUFT
- Salvem as martas - J. R. GUZZO
- O procurador não quer procurar - REVISTA VEJA
- Liberdade de imprensa duplamente violada - Paulo B...
- As instituições mundiais no caminho do fracasso? M...
- Vácuo de ideias Denis Lerrer Ronsenfield
- FHC -A soma e o resto por Augusto Nunes
- Farsa Pinheirinho - Margrit Schmidt
- A torre de Babel - Luiz Paulo Horta
- É a China que se defende do Brasil... - Alberto Tamer
- A ineficácia dos moralismos - Roberto Romano
- Nova chuva de euros - Celso Ming
- Tempos de diálogo e pragmatismo - Gaudêncio Torquato
- Muitas novidades - 2 - João Ubaldo Ribeiro
- Trocas e truques - Ferreira Gullar
- Dois caminhos - Miriam Leitão
- Por que Serra cedeu - Dora Kramer
- Um fundo para distribuir renda - Suely Caldas
- O destino e a prévia - Merval Pereira
- Se agotó la paciencia Joaquín Morales Solá
- Pensando en China Mariano Grondona
- El mundo feliz de un empresario kirchnerista Carlo...
- A escalada do petróleo - Celso Ming
- Na mesma roda - Miriam Leitão
- Falta de interesse - Merval Pereira
- O armário econômico de Romney Paul Krugman
- Gestão punitiva Merval Pereira
- Brics em estudo Miriam Leitão
- Quem te viu, quem te vê - Nelson Motta
- Grécia, mais um triste capítulo Luiz Carlos Mendon...
- 'Não minta para mim, Argentina' O Estado de S. Paulo
- Parados no ar Dora Kramer
- Mais dólares chegando Celso Ming
- Uma nova direita, por que não? João Mellão Neto
- Prepotência administrativa Otavio Leite
- Morreu, mas passa bem Luís Eduardo Assis
- ¡No quiero un Congreso de ricos y corruptos! Por C...
- Falta de competitividade - CELSO MING
- Raio X na carga - MIRIAM LEITÃO
- Brasil realmente caro - VINICIUS TORRES FREIRE
- As "memórias" do barão - MERVAL PEREIRA
- Dinheiro do FGTS para fazer o superávit - RIBAMAR ...
- Pacote grego não convence Alberto Tamer
- Privatizar? Não pense Cristiane Alkmin J. Schmidt
- Não, a culpa não é do mercado Carlos Alberto Sarde...
- Mitos e equívocos José Serra
- Miriam Leitão - Sombras na economia
- Roberto Abdenur - Três crises e uma incógnita
- Antonio Delfim Netto - Taxa neutra
- PT privatiza - EDITORIAL O GLOBO
- Duas Europas? - GILLES LAPOUGE
- Lições da Perestroika na economia - LUIZ CARLOS ME...
- Mentira e colonização da Grécia - VINICIUS TORRES ...
- Cinzas e a garrafa de Klein - Roberto DaMatta
- É o dólar, deslizando Celso Ming
- Os verdadeiros mentirosos - Merval Pereira
- O pessimista entre a anarquia e o poder Eliana Car...
- A economia brasileira é diferente? Paulo R. Haddad
- Sofrer sem ganhar - Paul Krugman
- Dentes e cuecas - João Pereira Coutinho
- Uma chance para Obama - MYLES FRECHETTE e JOHN MAR...
- O passo seguinte-Miriam Leitão
- XICO GRAZIANO,Cachaça boa, 'marvada' pinga
- JOSÉ PAULO KUPFER - Mais com menos
- Celso Ming - Sob a mira, as cadernetas
- Dilma, não esquece o Galeão! - Rodrigo Constantino
- Bônus para servidores paulistas - EDITORIAL ESTADÃO
- Playboy Interview: Paul Krugman
- Pasquale Cipro Neto - Carnaval? Tô fora, literalmente
- Uma ideia asnática - EDITORIAL O ESTADÃO
- Mais jovens do que somos - RUY CASTRO
- Concessões petistas - EDITORIAL FOLHA DE SP
- A gerente do loteamento - EDITORIAL O ESTADÃO
- Perdão pela crise - RUBENS RICUPERO
- Sem justificativas - EDITORIAL O GLOBO
- Muitas novidades - 1 JOÃO UBALDO RIBEIRO
- A Grécia aguenta? - CELSO MING
- Insegurança estrutural - ELIANE CANTANHÊDE
- Eleições e escolhas - MIRIAM LEITÃO
- O jogo dos acasos - FERREIRA GULLAR
- Carnaval da bajulação do poder - VINICIUS TORRES F...
- Os poderes de Graça Foster - SUELY CALDAS
- Carnavais - JANIO DE FREITAS
- Rio Branco - CELSO LAFER
- Fidel Castro e a fé - MAC MARGOLIS
- Um crime de lesa-cidade ROSISKA DARCY DE OLIVEIRA
- Insegurança nas empresas FRANCISCO DORNELLES
- Bloco do cotidiano - MIRIAM LEITÃO
- O que é conteúdo local? - CELSO MING
- Teatro de fevereiro - MIRIAM LEITÃO
- Soberania popular - MERVAL PEREIRA
- Mais um revés para os mensaleiros - EDITORIAL O GLOBO
- Investimentos empacados - EDITORIAL O ESTADÃO
- Governo parece ter optado por uma nova prioridade ...
- O DI incomoda muita gente- Celso Ming
- Não magoem a China Alberto Tamer
- Balas de prata Dora Kramer - Dora Kramer
- JOSEF BARAT Aeroportos: Concessões são avanço, mas...
- Tudo é relativo, mas . . . Carlos Alberto Sardenberg
- O público e seus problemas Raghuram Rajan
- Greve de PMs e segurança pública Carlos Mário da S...
- Fundos de pensão e estratégia global Mario Garnero
- Duplipensar Demétro Magnoli
- Aeroportos - foi mesmo privatização e inevitável R...
- Guizo no gato - MERVAL PEREIRA
- Desatar os nós - MÍRIAM LEITÃO
- Pedir esmolas à China - VINICIUS TORRES FREIRE
- Impostômetro - ANTONIO DELFIM NETTO
- Comércio, a zona escura - ROLF KUNTZ
- O tombo da Petrobrás - EDITORIAL ESTADÃO
- Caindo do cavalo - ROBERTO DaMATTA
- Passo consumado - Dora Kramer
- O arranjo da economia - Celso Ming
- Parece que foi ontem Jose Márcio Camargo
- Pedro Doria As escolhas de cada dia
- Riscos na decolagem - JOSÉ PAULO KUPFER
- Resposta a Vladimir Safatle - JOÃO PEREIRA COUTINHO
- Rumo à estação Arena - DORA KRAMER
- Se não é guerra, o que é? - ANTONIO DELFIM NETTO
- Preços predatórios - CELSO MING