Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, maio 17, 2005

Lucia Hippolito:PMDB começa a pensar em um Plano B


"No último fim de semana, a Justiça Eleitoral do Estado do Rio deu uma bela demonstração de que ainda se pode confiar nas instituições.
Por decisão da juíza Denise Appolinária, da 76ª Zona Eleitoral de Campos, no Norte fluminense, ficam inelegíveis até 2007 a governadora Rosinha Matheus, o secretário Anthony Garotinho, o ex-prefeito de Campos e a chapa derrotada nas eleições municipais de 2004.
Além disso, foram cassados o atual prefeito Carlos Alberto Campista e o vice, Toninho Vianna. Novas eleições foram convocadas para Campos.
As eleições de 2004 no Estado do Rio foram um festival de irregularidades, muitas delas patrocinadas pela governadora e seu marido. Programas assistencialistas foram utilizados a mais não poder, kits escolares foram distribuídos praticamente no final do ano letivo, dinheiro vivo foi encontrado com o secretário Garotinho no diretório municipal do PMDB, ONGs patrocinadas pelo casal foram utilizadas para aliciar eleitores, tudo isto fartamente documentado pela imprensa.
A chapa apoiada por Rosinha e Garotinho foi derrotada nas eleições de Campos. Por isso, não se imaginava que a Justiça Eleitoral continuasse a investigar as denúncias.
Mas finalmente, veio a sentença, ainda em primeira instância, é verdade. Cabe recurso ao Tribunal Regional Eleitoral, mas a sentença da juíza é impecável, uma peça que deveria ser lida em todas as faculdades de direito.
Até agora, a estratégia de defesa do casal Garotinho tem sido a do deboche: a desqualificação da juíza, acusada de simpatizante do PT.
E se for? Diminui o peso das irregularidades cometidas? Os réus ficam menos culpados por causa disso?
O PMDB oposicionista, que acolheu Garotinho com a perspectiva de lançá-lo contra Lula em 2006, já começa a preparar o Plano B. O governador gaúcho Germano Rigotto, por exemplo, já pensa em se lançar candidato.
No Planalto, a decisão da juíza foi comemorada como se a sentença já fosse definitiva. Mas é cedo para soltar foguete.
Uma coisa é certa, porém: se for confirmada a inelegibilidade de Garotinho, a eleição de 2006 deu uma bela embaralhada. Todos os planos terão que recomeçar do zero."
BLOG Ricardo Noblat

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