Entrevista:O Estado inteligente

quarta-feira, maio 18, 2005

CLÓVIS ROSSI :Caderno de polícia

 SÃO PAULO - Todas as páginas do caderno Brasil de ontem, exceto uma (a última, aliás), tratavam de um único assunto: corrupção.
Fica difícil escapar da sensação de que a corrupção só fez aumentar nos últimos muitos anos. Não creio que seja verdade. O que aumentou, sim, foi a vigilância da sociedade. Aumentaram também os instrumentos de controle (mas não, infelizmente, os de punição).
Pena que não haja instrumentos científicos para verificar se a corrupção aumentou, diminuiu ou ficou na mesma. Os rankings, como o da Transparência Internacional, são recentes demais, embora valiosos, para permitir uma comparação de médio ou longo prazo. Além disso, são necessariamente baseados em percepções -e todo sentimento humano é falível e precário por definição.
Ainda assim, parece escandalosamente claro que o que aumentou foi a cara-de-pau do mundo político, cada vez com menos exceções. O exemplo mais forte é o do nepotismo. Trata-se sabidamente de uma forma legal de corrupção, na medida em que serve, em quase 100% dos casos, para aumentar a renda familiar de políticos, e não para aumentar a qualidade de seu desempenho e/ou o do atendimento ao público. Mas chegamos a um momento em que há quem se disponha a defendê-lo com argumentos que seriam apenas folclóricos não fossem uma escandalosa confissão de culpa.
A cara-de-pau é tamanha agora que os deputados estaduais de Rondônia comportaram-se como quadrilheiros. Não há outra expressão para defini-los. Deveria haver rito sumário para puni-los exemplarmente, porque, no caso exibido domingo pelo "Fantástico", a única coisa a apurar é se a fita foi montada ou não. Se não foi, o crime está escancarado e a punição tem de ser rápida.
O diabo é que todos sabemos que, mesmo que o bando de Rondônia seja punido, faltará tanta gente no banco dos réus que até desanima.
folha de s paulo

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