O dólar não vai derrubar a balança comercial. O Brasil vai exportar mais este ano do que no ano passado, apesar da taxa de câmbio. Alguns analistas começam a rever as projeções da balança comercial considerando que o nível de US$ 30 bilhões de saldo é piso. Na primeira semana de março, o país exportou 22% mais do que no mesmo período do ano passado; ele pode fechar o primeiro trimestre com superávit de US$ 8 bilhões.
O Ipea acha que as exportações vão crescer 10% este ano e o Bradesco projeta crescimento de 8%. E isso sobre o total do ano passado que já havia crescido 32% em relação ao ano anterior. O Bradesco fez um estudo detalhado dos números do comércio e das principais tendências e chegou à conclusão de que a mudança é mais profunda do que parece:
— Exportação hoje é coisa séria, houve uma mudança estrutural na atividade exportadora. Mercado conquistado é mercado sagrado. O exportador não quer abrir mão do mercado, até porque já viu este filme antes. As perspectivas de vendas externas continuam boas; a competitividade adquirida dá um perfil mais agressivo à empresa, que tem chances de continuar ocupando cada vez mais espaço no mercado externo. Além disso, há vantagens fiscais e o financiamento para exportar é barato — diz o economista Octávio de Barros, do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.
O consultor Joseph Tutundjian acredita que há um descompasso entre o que ouve dos empresários e o que vê nos números:
— Quem ouve o discurso acha que a exportação vai mal, quem olha as estatísticas se convence do contrário.
A Fiesp afirmou que as exportações cairiam por causa do câmbio; até agora não foi isso o que aconteceu. Como isso é possível depois de uma valorização do real de 19% desde maio do ano passado, o que teoricamente deveria, sim, derrubar as vendas externas?
Tutundjian diz que a composição das exportações brasileiras ajuda a manutenção do patamar de vendas ao exterior:
— Um terço do total exportado é de vendas entre companhias, que são fruto de planejamento de longo prazo e não são suspensas por causa do câmbio. Outro terço é de empresas como Embraer, Vale, e o outro terço são as exportações gerais. Só nesta parte final, pode haver alguma oscilação por causa do câmbio.
Além disso, tudo parece ser mesmo como Octávio de Barros está falando: uma mudança profunda na lógica do empresário do setor. Pouca gente está vendo a profundidade dessa mudança.
— No ano passado, nós fizemos uma ampla sondagem junto às 100 maiores empresas de comércio exterior, metade exportadoras e metade importadoras. Perguntamos sobre suas projeções. Deu um resultado de US$ 32 bilhões de saldo. Não acreditei, até porque, naquela época, nossa previsão era de um superávit de US$ 23 bilhões. Este ano, repetimos a sondagem e o resultado foi de US$ 38 bilhões e eu, de novo, não estou acreditando. É possível que não dê isso, mas a sondagem mostra o vigor do comércio externo brasileiro — diz Octávio de Barros.
Em dez anos, o percentual exportado no total da produção industrial saiu de um nível de 10% para 18%. O Brasil passou a exportar uma parte maior do que produz ganhando um perfil de país aberto e exportador. Um exemplo: no ano passado, o Brasil vendeu lá fora 29% de tudo o que produziu de carros; este ano, a parcela vai aumentar para 31%.
O que confere ao Brasil um perfil de global trader — um comercializador global — é a diversificação de mercados, que tem se acentuado nos últimos tempos. O Brasil divide suas vendas por vários países do mundo. Exporta para os países do Nafta o dobro do que vende para a América Latina, excluindo-se o México. Na China, que o governo considera um parceiro estratégico, o Brasil teve queda de participação no mercado no ano passado. O mesmo aconteceu com a Rússia. Já os Estados Unidos estão juntos com México, Holanda, Venezuela e Canadá no grupo dos países para os quais a participação das vendas brasileiras cresceu e a perspectiva é de alta. Esses dados mostram que estratégico é o Brasil aumentar sua participação no bolo do comércio internacional e não escolher os países de preferência por quaisquer outras razões.
Um dos fatos que aumentam a perspectiva do comércio internacional este ano é a Vale do Rio Doce. Em 2004, a exportação de minério de ferro foi de US$ 4,8 bilhões, quase 5% de tudo o que o Brasil exportou, só perdendo para a soja. Este ano, a Vale prevê vender 10% a mais a um preço 71,5% mais alto, a partir de abril. Isso significa um aumento de US$ 3,3 bilhões em relação ao ano passado e um total de apenas um produto de US$ 7,7 bilhões.
Nos dois primeiros meses do ano, o Brasil exportou 32% mais do que no mesmo período do ano passado; nos manufaturados, o crescimento foi de 45%. Na primeira semana de março, vendeu 22% mais do que no mesmo período de 2004. O vigor continua. Com base em dados assim, é que o Bradesco está estimando como saldo comercial do ano um piso de US$ 30 bilhões. Apesar de prever que o dólar vai terminar o ano entre R$ 2,80 e R$ 2,85.
— Temos evidências robustas de que o câmbio atual apreciado não vai afetar planos estratégicos das empresas exportadoras — afirma Octávio de Barros. ARQUIVO DE ARTIGOS ETC
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