MADRI. O encontro internacional sobre democracia e terrorismo começou ontem com um consenso: não existe saída contra o terrorismo se não for do conjunto da comunidade internacional. Sem que fosse citado uma única vez, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e sua política unilateral de combate ao terrorismo foram criticados nos discursos de inauguração do encontro.
O ex-presidente brasileiro e presidente do Clube de Madri, Fernando Henrique Cardoso, na mais direta referência à política americana, perguntou como “um líder mundial” pode falar em liberdade quando “estimula políticas que enfraquecem a ONU, único mecanismo que temos para atingir um alto nível de governabilidade democrática a nível internacional”.
D. Felipe, príncipe de Astúrias, herdeiro do trono espanhol, definiu o combate ao terrorismo como “objetivo prioritário e insubstituível que reclama a união de todos os democratas, o emprego de todos os instrumentos do Estado de Direito e o reforço efetivo da cooperação internacional”.
O papel da ONU na governança internacional parece ser o centro das medidas que deverão ser anunciadas no último dia do encontro, quando será divulgada a chamada Agenda de Madri na presença do secretário-geral da ONU Kofi Annan. Ontem, os diversos grupos de trabalho começaram a discutir a portas fechadas suas agendas, divididas por temas. O fortalecimento da sociedade civil contra a violência e os extremismos, mobilizando-a a favor da democracia, como uma resposta a longo prazo contra o terrorismo, é um dos temas centrais do encontro.
Os coordenadores são o brasileiro Miguel Darcy, assessor do Instituto Fernando Henrique Cardoso, fundador e diretor de ONGs no campo dos direitos humanos, construção da democracia e combate à Aids, e Mary Kaldor, professora de governança global na London School of Economics. O impacto do terrorismo no cidadão comum é um dos assuntos que serão discutidos nos grupos de trabalho, ainda sob os efeitos da morte de 190 pessoas no atentado terrorista de um ano atrás na estação de trem de Atocha, em Madri.
Serão analisadas também as relações entre os cidadãos e os terroristas, e o alcance e as limitações das ações da sociedade civil para prevenir esses atentados. Um grupo vai debater especialmente estratégias práticas que possam ser usadas em todo o mundo para mobilizar a sociedade na contenção da violência.
O professor de Direito da Universidade de Austin, no Texas, Phil Bobbitt, especialista em direito internacional e em estratégia, será o coordenador de um grupo que vai debater como combater o terrorismo sem abrir mão dos valores democráticos, fortalecendo as instituições e disseminando a liberdade. O objetivo é construir uma estratégia baseada nos princípios democráticos e na cooperação internacional.
Um outro grupo correlato é o que vai discutir os direitos humanos, postos em xeque diante da necessidade de desmantelar as redes terroristas. Haverá também um grupo que vai discutir a democracia como resposta ou antídoto ao terrorismo, partindo do pressuposto de que a falta de democracia cria condições para que o terrorismo floresça. É a mesma tese defendida pelo presidente americano, George Bush, vista por um ângulo liberal, em que a democracia não pode ser imposta à força e os limites do combate ao terrorismo são os limites da letra da lei.
O coordenador desse grupo é Ghia Nodia, presidente do Instituto para a Paz, Democracia e Desenvolvimento da Geórgia. Embora o papel da ONU e de outras instituições multilaterais seja ressaltado pelo Clube de Madri como fundamental para o fortalecimento da democracia no mundo, há dúvidas sobre a efetiva capacidade de ação contra o terrorismo de alguns desses órgãos. Um grupo de trabalho coordenado por Fen Hampson, diretor da Escola de Negócios Internacionais da Universidade Carleton, de Ottawa, no Canadá, especialista em negociações multilaterais e governança global, vai estudar o assunto.
Uma das questões mais interessantes que serão debatidas nos próximos dias é a tentativa de entender o que está por trás do terrorismo, além do extremismo político e religioso. Esse grupo, que vai procurar entender por que o terrorismo ocorre para estabelecer uma estratégia efetiva de combate, estará composto de especialistas em estudos sobre as origens do terrorismo, e em estados que financiam ações terroristas. Também a análise psicológica dos terroristas e seus líderes pode servir para entender suas ações para melhor combatê-las.
As razões políticas, que motivam a violência terrorista, serão debatidas e, algumas delas, que podem ter motivações legítimas, terão que ser identificadas e atendidas para que os grupos extremistas percam suas bandeiras. Paralelamente, serão discutidas as causas econômicas do terrorismo, que geralmente estão ligadas a causas políticas de grupos desprotegidos. A relação entre a globalização da economia e o alegado crescimento das desigualdades sociais no mundo será um dos pontos a serem discutidos pelo grupo.
Por fim, as razões religiosas e culturais serão debatidas separadamente. Alguns dos mais violentos grupos extremistas têm apresentado a religião como justificativa para suas ações e um grupo de trabalho discutirá que medidas podem ser tomadas para que exista mais diálogo e tolerância entre as religiões, encurtando o espaço para a exploração dos conflitos. Na parte cultural, um grupo vai debater até que ponto as diferenças culturais e, mais que isso, a sensação de humilhação e alienação contribui para o crescimento do terrorismo internacional.
Entrevista:O Estado inteligente
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