Entrevista:O Estado inteligente

domingo, março 13, 2005

Jornal O Globo - Elio Gaspari : UniLula

UniLula

Lula defendeu os gastos sociais do governo, argumentando que o Bolsa Família não é despesa, mas investimento. Nada mais verdadeiro, assim como os roupões de algodão egípcio licitados pela sua mordomia são gastos, e não investimento. Lula disse que a confusão entre despesa e investimento é “um erro sociológico do país”.

Ganha uma viagem de ida a Cuba quem tiver entendido o que o presidente quis dizer. Ganha uma viagem de volta ao Brasil quem for capaz de explicar o que é um “erro sociológico” e como um país pode cometê-lo.

George Chávez

Roger Noriega, subsecretário de Estado americano para a América Latina, acusou o presidente venezuelano Hugo Chávez de “abandonar deliberadamente os princípios democráticos, especialmente depois de sua vitória no referendo revogatório de agosto de 2004.”

Eremildo é um idiota e acredita em tudo o que os governos dizem. Lendo os casos de terceirização dos interrogatórios de prisioneiros e narrativas do que acontece na prisão militar americana de Guantánamo, ele escreveu o seguinte:

“George Bush abandona deliberadamente os princípios democráticos, especialmente depois de sua vitória no plebiscito revogatório de novembro de 2004.”

Nonô XIV

O primeiro vice-presidente da Câmara, deputado José Tomás Nonô, subiu no salto alto de Luís XIV. Presidindo uma sessão, cassou a palavra de uma colega com a desenvoltura de um fiscal de camelôs. Noutra, encerrou uma votação sem que ela estivesse concluída. Durante mais de uma década, Nonô foi um parlamentar de modos impecáveis. Parece ter se cansado.

FFFHHH 2006

Um curioso que foi atrás da agenda e das recentes conversas de FFHH chegou a duas conclusões:

1) Ele é candidato a presidente da República.

2) Junto com sua candidatura vem a promessa de que, por sua vontade, ficará só quatro anos. Assumiria com 75 anos e terminaria o mandato com 79.

Nesse caso, depois de chegar ao poder em 1995 como FHC, transformando-se quatro anos depois em FFHH, ele poderá reencarnar como FFFHHH em 2006.

A idéia de um retorno do príncipe para desmanchar o instituto da reeleição seria uma boa contribuição ao ordenamento político nacional.

Pena que tanto ele quanto Lula tenham repetido que eram contra a reeleição. Quando chegaram aos roupões de algodão egípcio, esqueceram o que escreveram, o que leram, o que disseram e o que pensaram.

Recordar é viver

O comissário José Eduardo Dutra, da Petrobras, vai à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para falar sobre o rombo de R$ 8,3 bilhões do fundo de pensão Petros. Será confrontado com diversas promissórias que deixou por lá.

Elas remontam ao escândalo da violação do painel da votação que cassou o senador Luís Estevão, em junho de 2000. Dutra era líder do PT e teria sido avisado de que sua colega Heloisa Helena votara em favor de Estevão. Ele negou que tivesse recebido a informação. Se a tivesse ouvido, teria sabido que o painel estava bichado, sem alertar a companheira senadora e os demais colegas.

Caso de som

Definição ouvida por aí:

“Lula é o Fernando Henrique Cardoso com buzina.”

(A piada deve direitos autorais ao falecido chanceler Azeredo da Silveira. É dele, nos anos 70, a frase: “O México é o Canadá com buzina”.)

Não rias do FMI, Argentina

Saiu um livraço nos Estados Unidos. Chama-se “E o dinheiro continuou entrando (e saindo) — Wall Street, o FMI, e a bancarrota da Argentina”. Seu autor é o jornalista Paul Blustein, do “Washington Post”. Ele já escreveu “O Castigo” (editado no Brasil), onde contou como o FMI desgraçou a vida de centenas de milhões de pessoas durante a crise asiática de 1997.

O título do novo livro de Blustein saiu de duas falas de Che Guevara no musical “Evita”. Baseia-se em mais de cem entrevistas com a cúpula do FMI, a ekipekonômica argentina e os sábios do mercado. Vai de 1991, quando o presidente Carlos Menem equiparou o peso ao dólar, até 2002, quando a paridade foi abandonada com o país na bancarrota e metade da população na miséria.

Blustein mostra que a turma do andar de cima da economia mundial se diverte à custa da patuléia cá de baixo. Dois exemplos:

Em 1992, quando Carlos Menem era rei, o economista-chefe do FMI, Michael Mussa, disse a um argentino de sua equipe que estava voltando para Buenos Aires para trabalhar com o presidente do Banco Central, Roque Fernandez: “Diga ao Roque para cair fora enquanto ele está numa boa.”

Em agosto de 2001, o país ia para o ralo. Glenn Hubbard, presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, estava em casa falando ao telefone com George W. Bush. A conversa era atrapalhada pelo choro e pela voz de uma criança. Era Will, o filho de 3 anos de Hubbard. O economista explicou ao presidente: “Ele está chorando pela Argentina”.

Apesar do róseo lero-lero da banca, a idéia da reestruturação da dívida argentina não saiu da cabeça dos opositores da paridade. Ela começou a ser discutida no FMI em novembro de 2000. Chamava-se Plano Gamma. Em outubro de 2001, os banqueiros tentaram transformar parte da dívida em anéis de fumaça. Seu arquiteto era o doutor William Rhodes, do Citibank. Nesses dias, o FMI mandou secretamente para Buenos Aires o economista Mathew Fisher, vulgo “papa-defunto”. Levava uma proposta pela qual os credores entregariam algo entre 30% e 40% do valor de seus papéis. Não deu certo.

Blustein é um grande jornalista e escritor elegante. Por mais duras que sejam suas conclusões, não há nelas viés satanizante. Com algum gosto, dá a palavra ao atual ministro da Economia argentino, Roberto Lavagna, para falar dos riscos do andar de baixo:

“O pior momento é aquele quando o mercado financeiro está com dinheiro sobrando.

É nessa hora que os países cometem seus piores erros.”

Voar ou sanear, eis a questão

Petista federal gosta de avião, quem gosta de esgoto é intelectual. Em 2004, o governo Lula gastou R$ 810 milhões em passagens e diárias. Somando-se a esse ervanário os R$ 126 milhões do AeroLula, chega-se a um total de R$ 936 milhões. Segundo o Palácio do Planalto, nesse mesmo ano todos os gastos do governo com programas de saneamento somaram R$ 1,2 bilhão.

A diferença entre o que o pessoal gasta em saneamento e o que consome nas viagens está em menos de R$ 300 milhões.

O programa de saneamento ambiental urbano do Ministério das Cidades passa fome e viaja a pé: o Sistema Integrado de Administração Financeira, o Siafi, informa que em 2004 foram gastos R$ 90,4 milhões de uma dotação autorizada de R$ 893,5 milhões.

Isso na rota do trabalhório. Na do palavrório, só nos últimos quatro meses de 2004 realizaram-se 11 seminários para discutir o anteprojeto da Lei da Política Nacional de Saneamento Ambiental.

Curiosidade: O total dos gastos com diárias e passagens dos companheiros aninhados na Presidência da República e nos seus gabinetes foi de R$ 20 milhões. Nesse cheque não estão computadas as viagens do comissário José Dirceu em aviões militares, inclusive aquela que se destinou a abrilhantar um encontro partidário.

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