Uma verdadeira batalha campal está ocorrendo no mercado de câmbio no Brasil. De um lado, um Banco Central vigoroso, violento mesmo, comprando dólares no mercado a preços crescentes e resgatando dívida indexada à moeda americana; do outro, os especuladores, nacionais e internacionais, procurando lucrar com os juros internos elevados e com a valorização de nossa moeda. Briga de gente grande.
A força da atuação do Banco Central tem surpreendido o mercado. Para quem tinha, há alguns meses, um discurso de que nosso regime cambial é de total liberdade, sua ação nos mercados, nas últimas semanas, é surpreendente. Até poucos dias atrás, os diretores do Banco Central afirmavam que a valorização de nossa moeda ocorria em razão de uma tendência mundial de enfraquecimento do dólar americano. Por isso, seria irracional tentar barrá-la. Justificavam a compra de dólares, apenas, como uma decisão inteligente de aumentar nossas reservas externas em um momento de extrema liquidez. Defender uma taxa de câmbio mínimo? Nem pensar.
Quem acreditou nesse discurso, aqui no Brasil e no exterior, está amargando hoje grandes prejuízos. No início de janeiro passado, um dólar valia R$ 2,72; na terceira semana de fevereiro, a cotação era de R$ 2,56; hoje, no momento em que escrevo essa coluna, o dólar está cotado a mais de R$ 2,72. Na queda do dólar, a variação foi de quase 6%; na alta, chegou a 6,25%. Isto é, quem vendeu dólares e comprou nossa moeda, no início de janeiro, está empatado; quem fez essa operação mais tarde já está perdendo dinheiro.
Existem alguns indicadores que nos permitem avaliar a dimensão das forças envolvidas nessa batalha. Do lado do especulador, a estatística básica para medir a intensidade da especulação é a do número de contratos de venda de dólar futuro, na Bolsa de Mercadoria & Futuros. Mas esse não é o único mercado em que se pode apostar na valorização do real. Hoje, nossa moeda é negociada, também, nos mercados internacionais e o volume de negócios é de difícil mensuração. Mas os números da BM&F são uma boa aproximação. No gráfico abaixo mostro a evolução dos números de contratos em aberto, nos últimos seis meses. Como o valor de cada contrato é de US$ 50 mil, o total de dólares vendido pelos especuladores chega a US$ 10 bilhões.
Do lado do Banco Central, a munição gasta nessa batalha de titãs também é impressionante. Nestas últimas semanas, ele comprou algo como US$ 10 bilhões -e, portanto, emitiu o equivalente em reais- e reduziu o volume de títulos indexados à moeda americana no equivalente a US$ 9 bilhões. Um movimento total de US$ 20 bilhões, se considerarmos as intervenções neste início de março.
O custo dessa atuação não será pequeno, em razão do juro elevado que o governo paga para colocar títulos públicos atrelados à Selic no mercado. Essa venda adicional de títulos é necessária para esterilizar o impacto monetário do aumento de reservas e a substituição dos títulos indexados ao câmbio. A diferença entre o que rendem as reservas e que custavam os "swaps" cambiais e a Selic é hoje da ordem de 15% ao ano. Portanto, a cada mês que passa, o governo incorre em um gasto adicional de juros da ordem de R$ 650 milhões.
Até agora, a vitória do governo é total. Nos últimos 30 dias, o real desvalorizou-se em mais de 8% em relação ao franco suíço, ao euro e ao won sul-coreano. Em relação ao yuan, mais de 4%. Mas o jogo ainda não terminou.
Entrevista:O Estado inteligente
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