Entrevista:O Estado inteligente

domingo, março 13, 2005

Folha de S.Paulo - CLÓVIS ROSSI: Jatenes e tu mesmo - 13/03/2005

SÃO PAULO - Antigamente, sempre que se falava em composição do ministério, o presidente e seus auxiliares diziam que as escolhas se dariam em função da "honradez e competência" dos candidatos.
Raramente era verdade, mas, ao menos, guardavam-se as aparências. Hoje, nem isso. Trata-se de uma descarada composição regada por ambições político-eleitorais em que o interesse público, se entrar na conversa, por distração de algum interlocutor, será alvo de chacota.
Tome-se o caso de Ciro Gomes: ou é um bom ministro da Integração Nacional e, portanto, o interesse público manda que fique no cargo, ou é mau ministro e deve ser demitido. É simples assim.
O que não cabe é transferi-lo para a Saúde (ou qualquer outro cargo). Terá que começar de novo, faltando menos de dois anos para o fim de suas funções, assim como seu substituto na Integração Nacional.
Se Ciro fosse um grande médico, ainda vá lá. Mas não se trata de nenhum Jatene, por mais que sua infinita vaidade o faça acreditar que entende de tudo, até de medicina.
Aliás, é curioso lembrar que, no século passado, um certo Luiz Inácio Lula da Silva, então candidato a presidente, dizia que seu gabinete seria formado por "12 Jatenes". Ou seja, só entrariam craques em cada uma das pastas, tal como Adib Jatene é um craque em coração e cirurgia cardíaca (vai ver que é por isso que durou pouco no Ministério da Saúde).
Pegue-se outro caso, o de Roseana Sarney, que, na Folha de ontem, aparecia como candidata a diferentes ministérios, como se ela própria fosse, sozinha, os "12 Jatenes".
O único que destoa nesse festival rastaqüera é o vice-presidente José Alencar, que tem humildade suficiente para dizer que seu perfil é "inadequado" para a Defesa. Mesmo assim, cabe perguntar: se se sente inadequado, por que aceitou?
Tudo somado, em vez de "Jatenes", o ministério de Lula está mais para "não tem tu, vai tu mesmo".

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