Entrevista:O Estado inteligente

quarta-feira, março 16, 2005

BliG Ricardo Noblat-Lucia Hippolito:À espera de um milagre

Comentário da cientista política Lucia Hippolito na CBN:
"Uma das conseqüências inesperadas da eleição de Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara foi o ressurgimento das conversas sobre reforma política.
Políticos, estudiosos, analistas e, sobretudo, eleitores concordam que a situação, como está, não dá mais.
Deputados que trocam de partidos mais de uma vez por dia, chegando ao escândalo de 225 casos só nesta legislatura, isto é, desde janeiro de 2003.
Parlamentares que votam contra a orientação das direções partidárias e não sofrem nenhum tipo de constrangimento.
Segundo muitos, o total de 27 partidos políticos com registro definitivo é excessivo e contribui para a fragmentação dentro do Congresso.
O fato é que todo mundo concorda que deve ser feita a reforma política, mas qual reforma? O que é exatamente que se quer reformar?
Qualquer cidadão interessado vai dizer que é preciso criar algum mecanismo de fidelidade partidária, reduzir o número de partidos e impedir o troca-troca.
É preciso também acabar com as coligações em eleições proporcionais, evitando que o voto dado em um candidato de esquerda, por exemplo, acabe servindo para eleger um candidato de direita, por causa das coligações e do mecanismo de distribuição de sobras eleitorais.
O voto, tal como está sendo praticado no Brasil, distorce a vontade do eleitor, que perde o controle sobre os destinos da sua manifestação na urna.
Em eleições proporcionais, para vereador e deputado estadual e federal, o eleitor brasileiro sabe em quem votou mas não tem a menor idéia de quem foi eleito com seu voto.
Mas a classe política não está pensando exatamente na mesma direção. O fim das coligações esbarra na oposição das dezenas de pequenos partidos que compõem a base de apoio do governo Lula.
A fidelidade partidária também encontra resistências em alguns parlamentares, que a consideram uma camisa-de-força. Talvez se aumente um pouco o prazo de filiação a um partido, para três ou quatro anos. Mas nem sobre isso existe consenso.
De qualquer forma, o prazo para se votar alguma coisa a tempo de valer para as eleições de 2006 é outubro deste ano. Isto porque a lei eleitoral determina que qualquer mudança tem que ser aprovada um ano antes das eleições.
Pode ser que se consiga alguma coisa, mas será quase um milagre ver os políticos brasileiros votando regras que alteram a forma como eles vêm sendo eleitos há muito tempo.
Afinal, ninguém quer serrar o galho onde está sentado.
enviada por Ricardo Noblat

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