Está havendo muito ruído e confusão nesse caso do comércio do Brasil com a China. Alguns utilizam números isolados, quase fora do contexto, e acabam, talvez inadvertidamente, tirando conclusões distorcidas. Este é um tema de grande importância para o comércio exterior e para a indústria brasileira. Deve ser melhor analisado.
Primeiro, não se pode simplesmente comparar os resultados de um trimestre sobre o anterior porque - e aqui, o enorme desafio - o Brasil é essencialmente exportador de matérias primas agrícolas e essas exportações concentram-se nos quatro primeiros meses do ano. É preciso avaliar um cenário mais amplo, de todo um ano, por exemplo, 2004. E o que vemos é simplesmente inquietante. O Brasil é um exportador nato de matérias primas, como soja (US$ 1,6 bilhão naquele ano) óleo de soja bruto, fumo, pasta de madeira, couro cru e produtos siderúrgicos, todos de pouco valor agregado.
E a China de hoje não é mais aquela que conhecíamos de alguns anos, da qual importávamos apenas as famosas “bugigangas”... Hoje ela exporta para o Brasil uma série de artigos industriais produzidos ou produzíveis no Brasil! Esta é a realidade do comércio entre os dois países.
Para esclarecer o leitor, a coluna ouviu seguramente um dos maiores conhecedores do comércio brasileiro, o ex-embaixador Rubens Barbosa, que em Londres e em Washigton nos fez compreender as manobras e os caminhos que o Brasil precisa seguir para aproveitar oportunidades e intensificar as exportações.
Distorções - E o que nos diz ele? “O grande crescimento da China no último decênio, acima de 8% em média anual, mais os repetidos superávits que temos conquistado no comércio bilateral, podem animar alguns empresários brasileiros mais desavisados. Mas se existem oportunidades para as nossas empresas expandirem seus negócios com os chineses, há também sérias ameaças à indústria nacional”.
Em janeiro, esse superávit foi mantido a despeito da desvalorização do real frente ao dólar. Mas é menor do que os dos mesmos períodos de 2003 e 2004. Enquanto as exportações brasileiras para a China cresceram 6% em relação a janeiro de 2004, as importações provenientes daquele país cresceram 47%!
“Esta tendência se confirma num horizonte de tempo mais amplo: em 2004, nossas exportações para a China aumentaram 20% sobre 2003. Isso parece muito - e foi... - mas as importações da China (o que compramos dela) tiveram uma alta espetacular de 72% no mesmo período!”
As estatísticas de 2005 são preocupantes, porque é no primeiro semestre que exportamos para a China produtos agrícolas, como a soja, que representam o grosso das nossas vendas para aquele mercado”. Isso infla nosso superávit comercial neste período, o que não costuma se repetir no segundo semestre e leva alguns a conclusões errôneas.
“Se o ritmo de crescimento das importações continuar como foi em 2004, é possível que no segundo semestre, com menos embarques da soja, passemos a registrar déficit comercial com a China, como já ocorreu em outubro e novembro de 2004”, prevê Rubens Barbosa.
Câmbio favorece a China - “Enquanto o real vai se mantendo em níveis muito altos, prejudicando a competitividade de nossas exportações, o yuan tem paridade fixa com o dólar a uma taxa de conversão que não cedeu em anos. Decorre daí que o real sofreu grande apreciação também com relação ao yuan, barateando em reais as mercadorias provenientes da China. Espera-se que a depreciação do real diante do dólar verificada nos últimos dias seja uma indicação de mudança de tendência. Isso é especialmente importante com relação à China”.
É só commodities - “O que mais me preocupa no comércio entre os dois países, porém, não é tanto a evolução dos valores globais da balança comercial, mas sim a natureza das transações realizadas. A pauta das nossas exportações para a China é fortemente baseada em produtos básicos. Em 2004, eles representaram 59% do total das nossas vendas. Soja em grão, 30%, e minério de ferro, 21%. Essas duas commodities, somadas, representaram mais da metade (59%) de todas as exportações brasileiras para a China! É uma concentração desconfortável e perigosa”.
Entrevista:O Estado inteligente
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