Entrevista:O Estado inteligente
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terça-feira, março 08, 2005
Jornal O Globo - Merval Pereira Terrorismo e democracia
NOVA YORK. Um ano depois do atentado na estação de trem de Atocha, em Madri, que matou quase duas centenas de pessoas e mudou radicalmente a situação política espanhola, levando à vitória do Partido Socialista nas eleições que se realizaram dias depois, um grande encontro internacional sobre democracia, terrorismo e segurança começa a discutir hoje, em Madri, estratégias para combater o terrorismo e, ao mesmo tempo, fortalecer a democracia.
O encontro é uma iniciativa do Clube de Madri, que reúne 55 ex-chefes de Estado ou de governo de países democráticos, presidido pelo ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso. Durante quatro dias estarão reunidos especialistas e formadores de opinião de várias tendências políticas, além de representantes de organizações não-governamentais, para, em diversos painéis, debater desde como instalar a democracia no mundo árabe até a influência do terrorismo na economia mundial.
Já que o tema tem sido objeto de inúmeras discussões em múltiplos foros, Fernando Henrique Cardoso está propondo que a reunião de Madri marque sua diferença através da afirmação de um conjunto de idéias-força, que contém em si críticas à política que vem sendo adotada pelos Estados Unidos no combate ao terrorismo desde os atentados de 11 de setembro de 2001.
O ex-presidente americano Bill Clinton, que é presidente de honra do Clube de Madri, estará presente ao encontro e participará de um painel onde serão discutidos os caminhos a serem seguidos, dentro do pressuposto de que não é possível abrir mão dos controles democráticos com a desculpa de combater o terrorismo.
As idéias-força de que fala Fernando Henrique são as seguintes:
1. O terrorismo é uma ameaça à democracia e só pode ser vencido através da plena mobilização dos valores e recursos da democracia.
2. O terrorismo é uma ameaça global que só pode ser enfrentado através da plena mobilização da comunidade internacional e dos cidadãos.
3. Não é possível nem aceitável erigir a promoção da liberdade e da democracia no plano nacional como meta prioritária e, ao mesmo tempo, adotar políticas que enfraquecem a democracia no plano global.
4. O fortalecimento da ONU, o respeito aos direitos humanos e à ordem internacional, o reforço da cooperação internacional e a mobilização dos cidadãos são condições indispensáveis para o êxito de uma estratégia voltada, simultaneamente, para o fortalecimento da democracia e da governança global democrática.
5. A hora, agora, é de olhar para o futuro, juntar esforços e reconstruir um consenso em torno desses fundamentos da luta contra o terrorismo.
Durante os quatro dias do seminário, especialistas e políticos serão divididos em vários grupos de trabalho, que discutirão temas específicos como “As causas e os fatores subjacentes ao terrorismo”; “Confrontando o terrorismo”; “Terrorismo e a indústria do turismo”; “Protegendo o espaço humanitário em face ao terror e à violência”; “Da violência ao voto”; “Mídia e terrorismo: amigos ou adversários?”; “Barrando a disseminação das armas de destruição em massa” e “Terrorismo e a internet aberta”.
Um bom exemplo de como as discussões incluirão os mais diversos pontos de vista, desde que democráticos, é a mesa redonda sobre “A guerra contra o terror e o conflito Árabe-Israel”, que terá a participação de especialistas como Efraim Halevy (Israel), Abdel Moneim Said Aly (Egito), Saeb Erekat (Palestina), Terje Rod Larsen (Noruega) e Rob Malley (Estados Unidos).
Um espaço especial será dedicado à discussão do papel da sociedade civil no combate ao terrorismo. O caso espanhol é exemplar dessa participação, a começar pela reação da sociedade civil à tentativa de manipulação do governo da época, que apoiava os Estados Unidos na guerra do Iraque.
Com receio de que a repercussão do atentado fosse negativa para o seu partido, que era o favorito para a eleição de dias depois, o primeiro-ministro José Maria Aznar direcionou as investigações para a suspeita de que o atentado fora realizado pelos separatistas bascos do grupo terrorista Eta.
Os rumores de que o atentado havia sido de autoria dos terroristas islâmicos da al-Qaeda, em represália ao apoio do governo espanhol aos Estados Unidos, dominaram a opinião pública, foram espalhados pela internet e pelas mensagens dos telefones celulares, e o governo acabou tendo que admitir a verdade.
Essa tentativa de manipulação e a forte rejeição da sociedade espanhola à invasão do Iraque fizeram com que o Partido Socialista, que se posicionava contra a guerra e a favor da retirada das tropas espanholas do Iraque — o que acabou acontecendo — vencesse as eleições. O primeiro-ministro espanhol José Luiz Zapatero e o Rei da Espanha, Juan Carlos, estão entre os patrocinadores do encontro.
No painel que vai debater “Liberdade, Segurança e Liberdades Civis”, participará o ex-chanceler Celso Lafer, ao lado de especialistas como Robert Goldman(USA), Nicolas Howen (Austrália), Jorge Dezcallar (Espanha), Terry Davis (Inglaterra), Justice Anand (Índia) e Irene Kahn (Bangladesh).
A discussão plenária sobre democracia e terrorismo terá a participação da ex-secretária de Estado americana Madeleine Albright, e do deputado verde e ex-líder estudantil Daniel Cohn Bendit, o “Danny Le Rouge”, um dos líderes das revoltas estudantis de maio de 68 em Paris e que foi aluno de Fernando Henrique na Sorbonne. O escritor brasileiro e best-seller internacional Paulo Coelho participará de um painel sobre “Religião e extremismo religioso”.
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