Entrevista:O Estado inteligente

sábado, março 12, 2005

Folha de S.Paulo - Fernando Rodrigues Degradação política- 12/03/2005

BRASÍLIA - O clima dentro do Congresso é de degradação avançada dos costumes. Deputados e senadores dos mais diversos partidos sentiram o cheiro de sangue. Querem esfolar o Palácio do Planalto ao máximo na reforma ministerial.
Um caso Waldomiro Diniz hoje seria automaticamente transformado em CPI. Há fios desencapados por todos os lados. É possível conviver com esse cenário por muito tempo sem que nada aconteça, OK, mas nada impede que um incêndio devastador ocorra nos próximos dias.
A pergunta a ser respondida é: quais as conseqüências desse esgarçamento dentro do Congresso? Há, pelo menos, quatro:
1) instabilidade e paralisia - qualquer faísca pode provocar um curto-circuito indesejável para o governo. Trata-se de um fator imponderável. Só que a possibilidade de crise provoca uma paralisia na administração federal. Na dúvida, o governo anda ainda mais devagar que o normal;
2) descontrole congressual - sem maioria para votar temas polêmicos, a administração Lula fica à deriva. Quando houver votação no Congresso, o resultado será imprevisível;
3) maioria efêmera - por mais sofisticada que venha a ser a reforma ministerial -e não será-, Lula só terá uma base de apoio momentânea. Continuará à mercê dos 300 picaretas que um dia execrou;
4) contaminação na economia - como já é consenso, o país crescerá neste ano menos do que em 2004. Toda vez que sair um indicador mixuruco, deputados e senadores vão tirar uma casquinha do Planalto. Entre uma estocada e outra, há sempre o risco de o comportamento de manada do mercado forçar uma alta na taxa de juros. Será o pior cenário para a reeleição de Lula em 2006.
Por fim, registre-se: o responsável maior por esse ambiente deletério é o próprio Lula. Ambíguo, começou a pensar em outubro na reforma ministerial. Até hoje não tomou decisão. No caminho, o PT perdeu a presidência da Câmara. Foi só o começo.

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