Entrevista:O Estado inteligente

quinta-feira, março 10, 2005

Folha de S.Paulo - ELIANE CANTANHÊDE:Barrados no baile

BRASÍLIA - A comemoração de 25 anos do PT virou daquelas festas que dão dor de cabeça, causam mal-estar e ficam tão caras que os organizadores acabam se arrependendo profundamente da idéia.
A festa deveria ter sido em 10 de fevereiro, dia em que o partido efetivamente completou um quarto de século. Mas não pôde. Ia pegar mal comemorar justamente quando o escândalo do Waldomiro também fazia aniversário. Um dia é para lembrar, o outro é para esquecer. Mas sempre haveria os chatos (inclusive, ou principalmente, os da imprensa) mesclando a importância das duas datas.
A festa também deveria ter sido em Belo Horizonte. Mas não pôde. Ia pegar mal comemorar justamente na cidade do deputado Virgílio Guimarães. Talvez ele seja o maior líder petista em Minas, constrangeu o partido na eleição para a presidência da Câmara, é acusado de dar a vitória a Severino Cavalcanti e deve ser suspenso por um ano do PT.
Já que não pôde ser em 10 de fevereiro nem em Belo Horizonte, a festança ficou para 19 de março, em Recife. Mas os problemas continuam surgindo, e não é falta de chope.
Será dias depois da reforma ministerial feita para entronizar o PP de Maluf e de Severino no governo, com mais vagas para o PMDB de Renan Calheiros e um espaço bem bacana para Roseana Sarney. E na véspera de uma reunião da esquerda petista em São Paulo.
Visualizemos as cenas e imaginemos os discursos. Em Recife, no dia 19, Lula, Dirceu, Palocci, Genoino e o resto da ministrada fazendo loas ao governo. Em São Paulo, no dia 20, deputados, intelectuais e representantes de movimentos ligados à esquerda petista metendo o sarrafo no mesmo governo. Tendo entre as estrelas a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins -que foi preterida pela cúpula partidária e ganhou.
A festa de Recife é para comemorar a unidade, mas pode evidenciar o contrário: a ameaça da dissidência.

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