Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, março 11, 2005

Folha de S.Paulo - Editoriais: REVIRAVOLTA NO LÍBANO - 11/03/2005

REVIRAVOLTA NO LÍBANO

Permanece em aberto se existem ou não ventos democráticos soprando no Oriente Médio. Se os há, como indicam alguns sinais já comentados neste espaço, a recondução de Omar Karami ao posto de primeiro-ministro do Líbano representa uma inquietante calmaria.
Esse político pró-sírio foi recolocado no posto pelo Parlamento libanês uma semana depois de ele e o gabinete terem renunciado em conseqüência de uma onda de manifestações da oposição anti-síria.
O aspecto positivo é que Karami reassume afirmando estar disposto a formar um governo de união nacional, no qual a oposição teria espaço. E é significativo que sua recondução ocorra num contexto em que a Síria acena com a retirada total ou parcial dos cerca de 15 mil homens que mantém no Líbano. Ainda assim, a volta do político ao poder constitui um golpe contra as aspirações da oposição libanesa e esfria o entusiasmo daqueles que viam na situação libanesa o triunfo das políticas norte-americanas para tornar o Oriente Médio democrático.
A retirada das forças sírias é necessária para dar aos libaneses a oportunidade de exercer plenamente sua autonomia. Não é verdade, porém, que todos no país, exceto uma elite corrupta, sejam contrários à presença das forças sírias, como o prova a manifestação pró-Damasco da terça-feira, que possibilitou o retorno de Karami. Convocado pela milícia xiita Hizbollah, o protesto levou às ruas de Beirute mais de 500 mil pessoas, num país de pouco menos de 4 milhões de habitantes.
Ao que tudo indica, a Síria não abandonará o Líbano tão facilmente. Parece disposta a renunciar à presença militar, mas pretende manter algum controle político. Já seria um avanço, num quadro que exige cautela e moderação. Não são poucos os analistas que vêem semelhanças entre a situação atual e aquela que reinava em 1975, quando eclodiu a guerra civil libanesa que duraria 15 anos e produziria 150 mil mortos.

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