Entrevista:O Estado inteligente

quinta-feira, março 17, 2005

Folha de S.Paulo CLÓVIS ROSSIi:

SÃO PAULO - Pobre Boris Casoy. Seu bordão "é uma vergonha" ficou pálido, muito pálido, diante da realidade política brasileira.
Às vezes, acho que a Folha erra na distribuição de seu noticiário pelos cadernos. Faz realmente sentido publicar o noticiário policial em Cotidiano, e o político, em Brasil?
Percorra, caro leitor, o noticiário de ontem. Começa pela terceira sessão de "traíras" (eu já estou me adaptando a uma eventual mudança de caderno do noticiário político), agora na Assembléia Legislativa de São Paulo.
Nos três casos, tudo o que jamais passou pela cabeça de traidores e traídos foi o interesse público. Ou o fortalecimento do Legislativo. Ou qualquer outra intenção mais ou menos nobre. Nada. É apenas joguinho de vaidades, ambições pessoais ou políticas, interesses eleitorais. Ou coisa ainda pior.
Passe agora para o nepotismo irrefreável de Ciro Nogueira (PP-PI), que emprega parentes em quantidade industrial ou pede a colegas que o façam, enquanto ele emprega os parentes dos colegas. Algum risco de punição? Nenhum. Ao contrário. Tudo indica que vai é ser promovido. A ministro, sabe-se lá do que, mas também não importa.
Ninguém está preocupado com competência, adequação ao cargo ou qualquer outra consideração normal em país civilizado. É, de novo, puro jogo de interesses políticos, eleitorais, pessoais. Ou outros.
Passa-se enfim ao caso da Prefeitura de São Paulo, gestão Marta Suplicy, do PT. Um ministro do PT, Antonio Palocci, assina documento ao Senado em que informa que Marta violou a Lei de Responsabilidade Fiscal. Não é acusação da mídia supostamente anti-Marta. Está no papel e leva a assinatura de Palocci.
Punição? Nada. Uma medida provisória apaga as digitais e permite o endividamento acima da lei.
Enquanto isso, no Reino Unido, saiu a proposta orçamentária. Fixa a aposentadoria mínima no equivalente a pouco mais de R$ 3.000. Aposentadoria mínima, repito.

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