Entrevista:O Estado inteligente

quarta-feira, março 09, 2005

BliG Ricardo Noblat-Porteira fechada- Comentário da cientista política Lucia Hippolito na CBN:

"E segue o baile.
O presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti, acabou arquivando o pedido de abertura de processo de crime de responsabilidade contra o presidente da República.
Mas esta foi uma “operação casada”, como se diz no mercado financeiro: uma ação combinada com outra. Severino arquiva o pedido de abertura de processo de crime de responsabilidade contra o presidente da República, e o PP, partido de Severino, amplia seu poder de fogo na negociação de espaços na reforma ministerial que vem por aí.
Nenhuma complicação. Operação clara e simples. Um arquivamento de processo aqui, um ministério ali.
Tendo em vista os relevantes serviços prestados ao governo Lula e ao PT, o PP se acha no direito de reivindicar ministérios de “porteira fechada”. Isto é, o ministro pepista quer ter o direito de nomear seus assessores e a máquina mais próxima do ministério.
Assim, se o ministro é do PP, do mesmo partido devem ser o secretário executivo, os diretores e gerentes de departamentos, agências e presidentes de órgãos da administração indireta vinculadas àquele ministério.
Pode ser um caminho para a responsabilização partidária. Isto é, a cada um receberá seu pedaço de tarefa, de culpa e/ou de elogio.
No início do governo Lula, o PT entendeu que não deveria entregar toda a estrutura ministerial aos partidos aliados.
Com isso, no final o que se conseguiu foi paralisia decisória, paralisia gerencial, desconfiança generalizada e rasteiras, futricas e fofocas que atrasam os trabalhos em praticamente todos os ministérios, fora da área econômica, naturalmente. Sim, porque ali o ministro Palocci não admite nem rasteira nem molecagem.
Como o presidente Lula está demorando mais do que o habitual para realizar a reforma ministerial, ficando cada vez mais na dependência de políticos aliados, pode ser que a reforma seja um pouco mais extensa do que se imagina.
Não na escolha de nomes não petistas, mas na entrega da estrutura dos ministérios aos novos ministros.
Seria, assim, uma reforma mais vertical do que horizontal. Talvez com menos nomes novos, mas com muito mais “porteiras fechadas”

Nenhum comentário:

Arquivo do blog