sexta-feira, março 14, 2014

O 'transferidor' de lixo do prefeito - Artur Xexéo: O Globo

O 'transferidor' de lixo do prefeito - Artur Xexéo: O Globo


O 'transferidor' de lixo do prefeito

A reeleição não fez bem para Eduardo Paes. Prefeito popular no primeiro mandato, Paes se transformou num daqueles políticos que, no Carnaval, têm obrigação de ir ao Sambódromo, mas se escondem num camarote para não correr o risco de receber vaia. Vaia de Sambódromo tem poder!

Tudo parece conspirar contra o prefeito neste segundo tempo. Mas, definitivamente, sua imagem chegou ao nível mais baixo com o vídeo que o flagrou jogando lixo no chão numa solenidade na Zona Oeste. O prefeito que inventou o Lixo Zero, o prefeito que multa o cidadão que joga guimba de cigarro no chão, não se preocupa com o descarte do que sobrou de uma fruta.

Em sua defesa, o prefeito divulgou uma nota oficial em que diz que "o vídeo, efetivamente, não mostra Paes jogando ao chão um pedaço de fruta". É verdade.  Vê-se perfeitamente que ele joga o resto de fruta, mas o lixo cai fora do quadro. A nota dizia ainda que o prefeito, possivelmente, teria feito o descarte em uma lixeira mais distante ou para que seus assessores o fizessem. Foi aí que eu desconfiei do prefeito. Embora repórteres do GLOBO tenham ido até o local da solenidade e constatado que aquela rua que aparece no vídeo não tem lixeira alguma, admito que talvez  houvesse  uma lixeira improvisada justamente para a solenidade não deixar a rua suja. Quem vai dizer que não foi assim? O que me preocupa é o prefeito levantar a hipótese de que talvez tenha jogado seu lixo para que seus assessores o descartassem. Como é que funciona isso? O prefeito joga lixo no chão, o assessor recolhe e o transfere para uma cesta? Ou o prefeito joga  lixo no assessor que o reencaminha para uma papeleira? Existe um assessor só para cuidar do lixo do prefeito? Ou ele acumula funções?  Só quero deixar claro o seguinte: se a categoria profissional que recolhe o lixo do prefeito ameaçar entrar em greve, eu apoio.

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Há duas ou três coisas que ainda não entendi na greve dos garis. Para começar, ficou claro que a Prefeitura nem sabe quantos funcionários estão na rua recolhendo o lixo. Tanto é assim que, durante um bom tempo, ela ficou tentando convencer a população de que apenas 300 grevistas formavam um contingente capaz de interromper  a coleta em praticamente todos os bairros da cidade. Depois, se disse que eram mais de 20 mil garis. Mais tarde, foi divulgado que 20 mil era o número de funcionários. Só 15 mil seriam garis. Passa-se mais um tempo, e ficamos sabendo que desses 15 mil só quatro mil trabalham coletando lixo ou varrendo ruas. O que fazem, então, os outros 11 mil garis? Trabalham em outras atividades como a preparação da merenda escolar. Agora, vem cá, o que é que a merenda escolar  tem a ver com Comlurb?

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Leio que alguns produtores culturais já estão limitando a venda de ingressos de meia entrada mesmo antes de a lei que tenta organizar esses descontos ser regulamentada. Sempre que leio sobre essa guerra da meia entrada, me lembro da Beatriz Segal. Ela foi a primeira personalidade pública, a primeira artista a denunciar a farra da meia entrada. Ficou meio antipatizada por isso. Eu mesmo me lembro de tê-la criticado em colunas passadas. Volto atrás. Beatriz Segal estava certa. Se o governo quer dar a meia entrada, que subsidie a outra metade do ingresso. Beatriz anda esperneando outra vez. Aos 87 anos, reclama da falta de trabalho para atores de sua idade. Em entrevista a Antonio Abujamra, no programa "Provocações", da TV Cultura, disse que"em teatro, cinema e TV, os velhos não têm muita vez. Não são muito chamados, não são muito úteis, não são muito necessários."

Morro de medo de errar outra vez, mas vou discordar de Beatriz. Está aí Bibi Ferreira, com 91 anos, e que o público não deixa sair de cartaz.  Estão aí Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, ambas com 84. Fernanda protagoniza uma série de TV, Nathalia interpreta um Becket no teatro em São Paulo. É em São Paulo também que o teatro reúne um elenco de veteraníssimos na mesma peça. Laura Cardoso, 86, Sonia Guedes, 84, Etty Fraser, 82, estão juntas em "A última sessão", de Odilon Wagner. É emocionante vê-las em cena.  Em todas as sessões, o público do Teatro Frei Caneca ovaciona o grupo que ainda conta com Miriam Mehler, Nívea Maria, Gésio Amadeu, Sylvio Zilber eYunes Chamis.

O talento só se aprimora com a idade. Se Beatriz Segal está fora de cena é porque tem produtor bobeando aí.

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Por falar em Beatriz Segal, estão indo ao ar os últimos capítulos da reprise de "Água viva", no canal Viva. A morte de Miguel Fragonard está para acontecer a qualquer momento. Foi nessa novela que Beatriz construiu um personagem inesquecível, a grã-fina falida Lurdes Mesquita. Não sei se foi constatado na época, mas, se não foi, eu constato agora: Beatriz roubou a novela.

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Com "Il trovatore", de Verdi, teve início no último fim de semana, a temporada de óperas deste ano no Teatro  Municipal. De São Paulo, é claro.



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