sexta-feira, setembro 14, 2012

O outro lado do balcão - WILSON FIGUEIREDO

O GLOBO - 14/09


No momento em que o eminente ministro do STF Joaquim Barbosa é citado na imprensa ao expressar dúvidas sobre a utilidade da contratação de empresas de comunicação corporativa e assessoria de imprensa por órgãos públicos, uma análise detalhada das experiências de utilização desse modelo mostra que os governos ganharam agilidade e capacidade de resposta. Principalmente nesta etapa em que a Lei de Acesso à Informação gerou desafios e demandas ao gestor público.

Vale lembrar que a profissão de jornalista passou por muitas transformações. Até os anos 50, editores e repórteres ainda precisavam manter um segundo emprego, normalmente público, para sobreviver. Vieram em seguida a profissionalização, a exigência do diploma, a proliferação dos cursos de Comunicação Social. A partir da década de 90, as empresas de comunicação surgem como uma nova alternativa de trabalho para os profissionais da área.

Depois de meio século de carreira em jornais, também segui essa trajetória. Já aposentado do jornalismo diário, reencontrei numa das maiores empresas do setor o vício renovado da comunicação. Descobri que “do outro do lado do balcão”, como se diz no jargão da profissão, existem múltiplas aplicações para as técnicas jornalísticas.

Ali também se trabalha com informação, a base da atividade do jornalista. As empresas empregam profissionais com formação em comunicação e tornaram-se agências de notícias sobre seus clientes, permanentemente municiando os veículos. A novidade passa agora pelo mesmo tipo de trabalho para as redes sociais, nas quais as consultorias ajudam seus clientes a se relacionar com os internautas.

Iniciei esta nova fase da vida aos 80 anos. Hoje, sete anos depois, arrisco dizer que o trabalho das agências faz diferença no desenvolvimento da comunicação e na construção e proteção da reputação das organizações. Sempre com base no entendimento de que toda instituição tem o direito de avaliar sua imagem pública e de se comunicar com a sociedade para zelar por ela.

O primeiro impulso veio do setor privado. As empresas entenderam a importância de estruturar sua comunicação e fortalecer suas áreas de relacionamento com a imprensa, um dos principais vetores da formação da imagem pública na sociedade contemporânea. Além disso, passaram a usar o apoio de agências para questões como design, publicações, comunicação interna, gestão de redes sociais etc.

O movimento chegou também ao setor público, pressionado pelas demandas de transparência por parte da sociedade. Da mesma forma como ocorreu com a publicidade, os órgãos de governo perceberam a vantagem de complementar o trabalho realizado por suas áreas internas com a contratação de agências de comunicação corporativa.

A tendência já está consolidada aqui e no exterior. E o que era há alguns anos apenas uma boa novidade para um velho homem de imprensa tornou-se um mercado extremamente relevante para as organizações e para os profissionais da área de comunicação.

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