sábado, julho 28, 2012

Seca lá, bom tempo cá CELSO MING

- O Estado de S.Paulo
Não deixa de ser a tal alegria de palhaço. Enquanto a maior estiagem desde 1956 queima as plantações do Meio-Oeste dos Estados Unidos, os produtores agrícolas daqui esfregam as mãos. E têm com o que se alegrar.
A perspectiva de perda de produção no maior produtor mundial está puxando os preços das commodities agrícolas às alturas (veja gráfico no Confira). É uma boa notícia para os agricultores brasileiros, que se preparam para aquela que pode vir a ser chamada como a maior safra de todos tempos.
Além desse rali das cotações, algo que tende a se aprofundar se a seca nos Estados Unidos se prolongar, outro fator, em geral marcado por incertezas, também pode jogar a favor da agricultura brasileira. Os serviços de meteorologia indicam que os efeitos do fenômeno El Niño continuarão favoráveis na próxima temporada de outono/verão em todo o território brasileiro. Apontam, em princípio, para bons índices pluviométricos e clima propício para bons resultados.
A consultoria Agroconsult revisou para baixo suas projeções da produção de soja nos Estados Unidos de 88 milhões de toneladas para 80 milhões de toneladas. E aqui no Brasil, assegura Amaryllis Romano, especialista da Tendências Consultorias, a colheita facilmente ultrapassará a marca dos 80 milhões de toneladas - o que representaria salto de, no mínimo, 20% em relação à safra 2011/2012, um recorde histórico. Mas há previsões preliminares mais otimistas. A consultoria Safras & Mercado, por exemplo, aposta em colheita de 82,3 milhões de toneladas (veja no gráfico).
Será inevitável que áreas antes destinadas ao plantio de milho, observa o analista Flávio França Júnior, da Safras, abram espaço para a cultura da soja. Caso isso venha a se confirmar, a produção de milho será ligeiramente menor na temporada 2012/2013, com cerca de 68 milhões de toneladas. A safra 2011/2012 ficará ao redor dos 72 milhões de toneladas.
Essa colheita menor, avisa França Júnior, não levará a perdas. O faturamento bem mais alto compensará a redução de produção. "Mas o personagem principal da próxima safra no Brasil tende a ser mesmo a soja. Além de bons lucros, espera-se que garanta boa recuperação para as exportações do País."
Consequência inevitável dessas novas perspectivas deverá ser nova alta do preço das terras destinadas ao plantio. No norte de Mato Grosso, por exemplo, Estado que mais produz soja e milho de segunda safra no País, o preço do hectare já avançou 75% desde 2010, como aponta levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). E, conforme Cléber Noronha, analista do Imea, a alta firme dos preços de soja e milho empurrou os preços do hectare para acima dos R$ 35 mil. Os níveis do arrendamento de área seguem nas mesmas proporções.
A balança comercial brasileira já acusa os efeitos da maior procura global. Na terceira semana de julho, as exportações de produtos básicos aumentaram mais de 9% em relação à anterior. E, se esse quadro favorável se confirmar, o interior contribuirá decisivamente para a melhora da renda nacional. (COLABOROU GUSTAVO SANTOS FERREIRA)

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