O ESTADÃO - 31/07/11Sexta-feira, a cotação do dólar voltou a recuar (1,02%) no câmbio interno, reforçando as dúvidas sobre a eficácia das decisões tomadas para reverter a tendência de baixa do dólar.
Antes, na quarta-feira, o governo entendeu que devesse intervir pesadamente no mercado de derivativos (mercado futuro do dólar), baseado no diagnóstico de que é principalmente nesse segmento que se formam os preços da moeda estrangeira. E esse tem tudo para ser o engano maior.
Se é o mercado de derivativos que, de fato, determina os preços, então o Banco Central tem falhado desde 2004, quando iniciou a compra de moeda estrangeira no segmento à vista, supostamente para dissipar volatilidades. De lá para cá, empilhou US$ 340 bilhões em reservas - principal resultado dessas compras. Estas vêm sendo justificadas como forma de blindar a economia brasileira contra a crise externa e, nisso, as intervenções foram e estão sendo eficazes. Mas, ao aceitar o diagnóstico de que o que conta são os derivativos -, o Banco Central admite implicitamente que as compras de dólares terão sido inúteis para o outro objetivo: o de evitar a excessiva valorização do real. Ou seja, o Banco Central atuou no mercado errado, menos importante na formação dos preços.
Não têm razão os dirigentes da Fiesp quando afirmam que a exportação de negócios de hedge, efeito colateral das últimas decisões tomadas, não é nada ante o esvaziamento da indústria castigada pela excessiva valorização do real. Seria este um argumento aceitável se as medidas agora colocadas em prática fossem eficazes para segurar a devastação no câmbio e no setor produtivo.
Ninguém sustenta a ideia de que mais importante do que garantir a competitividade da indústria seja preservar os negócios de derivativos no mercado interno. O foco é outro. Tiros de bazuca, como os da semana passada, são fortes o bastante para desmilinguir o mercado de derivativos de moeda estrangeira. No entanto, mais e mais dólares continuarão entrando no País, como receitas de exportações, investimentos estrangeiros e empréstimos entre empresas. E as cotações continuarão mergulhando no câmbio interno.
O grande risco é o de que, além de não frearem o tombo do dólar - objetivo mais importante -, as últimas decisões produzam ainda o efeito colateral de desintegrar o mercado interno de hedge, por meio do qual empresas e pessoas físicas se protegem do risco cambial.
O que mais preocupa não é o voluntarismo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que decidiu fazer qualquer coisa para evitar novas valorizações do real. É o fato de que, tomado pela aflição, corte os dedos para se livrar de um câncer e, por essas e outras, nem se livre do câncer e ainda perca os dedos.
A principal causa do excessivo fortalecimento do real é a desvalorização do dólar, contra a qual pouco há a fazer. Mas, ainda assim, a melhor coisa que o governo Dilma poderia prover para corrigir esse desvio é derrubar fortemente os juros, para evitar que os capitais entrem (ou deixem de sair) a fim de tirar proveito dos ganhos no mercado financeiro.
Só que isso não se faz com voluntarismo. Para derrubar os juros, será preciso reduzir valentemente as despesas, para que recue o consumo provocado pela renda criada pela política fiscal e que a política de combate à inflação não fique toda nas costas do Banco Central.
43 minutos do 2º tempo
Faltam 48 horas para que os políticos dos Estados Unidos se entendam para definir as condições que autorizarão o aumento do endividamento do Tesouro do seu atual piso de US$ 14,3 trilhões. As finanças do Estado americano vão sendo empurradas para a beira do precipício e, enquanto isso, aumenta o risco de que se instaure um período de grande incerteza na economia global.
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